Três Jogadas – Capítulo 34
Três Jogadas.
Capítulo 35
“A obsessão pelo suicídio é própria de quem não pode viver, nem morrer, e cuja atenção nunca se afasta dessa dupla impossibilidade.”
Emil Cioran
Cena 1. Rio de Janeiro – Lagoa / Apt. Da Alice / Noite
Ferraz vai à frente. Na hora de descer a escada, ele vira-se e percebe que Alice parou.
Ferraz estranha: Algum problema?! Eu não vou voltar atrás. Só saio daqui com o dinheiro.
Alice com olhar fatal: Vai para o quinto dos infernos. Desgraçado!
Alice o empurra e Ferraz rola escada a baixo. Na hora de cair, o homem cai e bate numa estátua, que fica na beira da escada. A estátua cai em cima dele e o corta inteiro. Alice sorri, sem remorso algum.
Corte descontínuo.
Alice puxa o corpo de Ferraz, que já está em saco plástico preto e o coloca dentro do lavabo. Para que ninguém entre, a mulher pega a chave e tranca o cômodo. A megera guarda a chave dentro da roupa.
Corte descontínuo.
Alice esfrega o chão da sala e limpa os cacos com ajuda de Gioconda.
Gioconda desesperada: Meu Deus eu vou sair como cúmplice disso tudo. Me liberta disso dona Alice.
Alice esfregando o chão: CALA A BOCA! E escreva logo isso antes que chegue alguém.
Gioconda chorando: Minha nossa senhora das empregadinhas. Dona Alice limpa sozinha. Eu não fiz nada disso.
Alice: Você é paga pra quê?! – ela coloca a vassoura na mão da empregada. – ESFREGA COM FORÇA PRA SAIR TUDO.
Gioconda esfrega desesperada. Alice ajuda também.
Cena 2. Rio de Janeiro – Vidigal / Sobrado da Gisele Sobrado de Clarice/ Noite
Clarice sorri: Leandro eu sei que o que eu fiz foi errado e eu juro que me arrependi disso tudo. Só que tudo que eu fizer agora não vai mudar uma coisa que aconteceu no passado.
Leandro: Eu sei que não vai. Nada vai mudar o que você fez. Nem mesmo o seu perdido de perdão.
Clarice intervém: Mas eu não pedi perdão pelo o que eu fiz. E nem acho que devo. Eu tenho sã consciência do que eu fiz.
Leandro abre a porta: Foi um erro ter vindo aqui. Melhor eu ir embora. Você não vai mudar mesmo.
Clarice o puxa e fecha a porta: Mas eu não tenho nada para mudar. Você que precisa entender! Leandro, a gente passou por tanta coisas juntas. Só que você quer colocar uma coisa do passado como o motivo, o pivô dessa nossa separação.
Leandro: Eu não estou colocando uma coisa do passado como o motivo. Ele é o motivo! E isso não precisa de ninguém expert para saber. Não pense você que eu estou me divertindo com essa situação.
Clarice: Mas parece que está. Tenta me entender pelo menos uma vez. Eu estava desesperada. Eu reconheço que fui egoísta, pensei só em mim. Mas era uma jovem, inconsequente, que só queria ter a filha.
Leandro: Uma coisa não justifica outra. Você fez errado! Eu não vou te culpar totalmente. Reconheço a parcela de culpa do Jordan em toda essa história. Mas você não tinha o direito de fazer o que você fez.
Clarice: Eu estava desesperada. Tudo bem. Entendo que uma coisa não justifica outra. Mas eu era inconsequente. Jovem. Estava louca para ter a criança. Não suportava a ideia de ter que tirar a minha filha, que nem tinha nascido e eu já amava mais que tudo. Eu nunca tive a intenção de matar minha própria irmã.
Leandro sorri: Você nunca está mal intencionada. Não é verdade? Sempre tem as melhores das intenções. Vai falar o quê? Que era necessário? Para com isso!
Clarice se irrita: PARA VOCÊ! Para você! De querer apontar os erros que eu tenho. Você não é íntegro e muito menos o certo. Não vem querer bancar esse jogo do certinho, do mocinho, que comigo que não rola!
Leandro nervoso: Agora você vai querer jogar as verdades na cara? Em momento nenhum eu falei que era perfeito, o certo, o íntegro. Pelo contrário, quando te pedi em casamento te mostrei todos os meus defeitos, sem medo! Você que não soube jogar limpo comigo!
Clarice indignada: Não joguei limpo? Eu nunca menti pra você! Sempre fui íntegra e sempre deixei minhas intenções bem claras!
Leandro perplexo: Nunca mentiu?! Para com esse teatro. CHEGA!
Clarice furiosa: Eu OMITI uma verdade. Nunca achei que você tinha necessidade de você saber. Não ia mudar em nada no nosso casamento.
Leandro: MAS MUDOU! MUDOU ANOS DE CASAMENTOS. QUE POR UMA MENTIRA, OMISSÃO, SEJA LÁ COMO VOCÊ QUISER CHAMAR, NOSSO CASAMENTO FOI JOGADO NO LIXO, COMO SE TIVESSE ESGOTADO O TEMPO DE VALIDADE E JÁ NÃO SERVISSE MAIS!
Clarice: VOCÊ QUIS ASSIM! Você me expulsou de casa. NÃO ME CULPA POR ISSO. DISSO EU NÃO CARREGO NENHUM UM PINGO DE CULPA.
Leandro: POIS DEVERIA. Eu não ia te expulsar de casa por nada. Te coloquei para fora de casa com motivos! Motivos esses que você ainda tem a coragem de chamar de omissão. Omissão?! Você mentiu! Matou! E não foi só uma pessoa. Matou nosso casamento. Matou meus sentimentos. Matou nossa família. PRA NADA! PRA BANCAR A CERTA, POR QUE É ISSO, VOCÊ ME ACUSA DE SER O CERTO, MAS VOCÊ É HIPÓCRITA! ESCONDEU ISSO DURANTE ANOS, PARA DIZER QUE É A ÍNTEGRA, QUE NÃO TEM PECADOS. E AGORA QUE TODO MUNDO DESCOBRIU ESSE SEU OUTRO LADO VOCÊ RESOLVOU JOGAR A CULPA EM UMA “OMISSÃO”.
Clarice chorando, segura o rosto de Leandro, os dois ficam cara a cara: Fala pra mim agora! Fala, olhando nos meus olhos, que você não sente mais nada por mim. Olhando nos meus olhos e fala. Eu quero ouvir você falando que não me ama mais e que anos do nosso casamento não serviram para nada. Quero ouvir isso da sua boca. – os dois se encaram. – FALA LEANDRO! FALA!
Leandro olha nos olhos de Clarice. Ele observa a imagem da mulher chorando e não se contém. Ele coloca o rosto no da mulher e a beija lentamente. Calmamente os dois vão entrando em um só clima e enquanto se beijam, vão andando em direção ao quarto.
No quarto…
Leandro coloca Clarice na cama e os dois ainda compartilham da mesma sintonia. O homem aos poucos desabotoa a blusa de Clarice. A mulher ainda chorando, passa a mão entre os cabelos de Leandro e o clima começa a esquentar. O homem tira a blusa e entre os beijos, Clarice arranha devagar as costas dele.
Clarice entre os beijos: Eu te amo! Eu te amo!
Tempo nos dois, se amando.
Cena 3. Rio de Janeiro – Catete / Apt. da Adriana/ Noite
Fernanda se levanta perplexa: Meu Deus, eu estou horrorizada.
Adriana tensa: Ninguém pode ficar sabendo disso. Ouviu bem? Ninguém! Pretendo levar isso comigo para o túmulo.
Fernanda ainda chocada: Você falava a mesma coisa antes de contar que era mãe da Stacy e deu no que deu. Graças a Deus a menina te perdoou. Agora mais uma mentira? Não sei se ela vai te perdoar, não!
Adriana tensa: No fundo eu acho que ela sabe que tem mais história. Esses dias ela veio me fazendo várias perguntas. Eu neguei tudo obviamente. Agora se ela descobre isso. Eu não sei do que ela é capaz de fazer. Ainda mais grávida. Tenho medo que isso lhe afete.
Fernanda: Então conta a verdade. É melhor que ela descubra por você do que descubra de uma maneira bem pior. E aí, às coisas vão piorar pra você.
Adriana nervosa: Eu tenho medo, Nanda. Medo que isso afete nossa relação. No começo foi tão ruim para ela se acostumar nessa ideia de mãe. Sempre acreditou que a mãe tivesse morrido. E agora eu conto toda essa história. Vai confundir a cabeça dela toda.
Fernanda: É melhor você confundir a cabeça toda, do que transformar o amor dela em ódio. Mentir não é a melhor solução.
Adriana: Eu não estou mentindo. Estou omitindo parte da história. Melhor que ela fique sem saber. Se você não contar, ela não vai saber de nada. Quando eu estiver no leito da morte, eu conto. Só assim morro de uma vez e fico sem pedir perdão e nem ela com a consciência pesada de não ter me perdoado.
Fernanda perplexa: Eu não acredito que ouvi isso. Definitivamente não. Adriana olha a barbaridade que você está falando. Você é sem noção mesmo.
Adriana: Sem noção não. Realista! Não é isso que todo mundo faz? Espera a morte para soltar às verdades? Pois então. É assim que eu pretendo que aconteça.
O telefone de Adriana toca.
Adriana, olhando o visor: Número desconhecido.
Fernanda se senta: Atende. Pode ser alguma coisa importante.
Adriana, ao telefone: Alô?!
Jaqueline, ao telefone, radiante: Amiga?! Sou eu Jaqueline. Tenho uma novidade para te contar.
Adriana, ao telefone, feliz: Amiga! Que saudades. Quanto tempo. Me conta as novidades? Como está a vida em New York? Muitos gringos? – ela gargalha.
Jaqueline, ao telefone: Estou no Brasil amiga! Especificamente no Rio. Feliz com a novidade?
Adriana fica perplexa. Mas tenta não demonstrar.
Cena 4. Rio de Janeiro – Lagoa / Apt. Da Alice / Noite
Alice sentada no sofá lendo umas revistas. Luíza desce a escadaria da casa.
Luíza sente falta da estátua: Cadê a estátua daqui?! Resolveu mudar a decoração antiga dessa casa?
Alice fecha a revista: Antiga é tua mãe. Tirei. Cansei dessa estátua. Estava mora de moda.
Luíza sorri: Ia dizer que você não entende disso. Mas você é formada em moda. E a sobrinha aqui fez curso por influência da titia, sabia?
Alice ri: Não banca a sobrinha que ama a titia. Fala logo o que você quer.
Luíza se senta: Dinheiro.
Alice gargalha: Você está brincando, né? Teu pai era milionário. Te deixou uma fortuna e que provavelmente sua mãe já gastou tudo com o homem dela.
Luíza sente falta de Ferraz: Por falar nisso cadê ele? Saiu? Foi só minha mãe dá uma sumida que o cara já foi dá um perdido nela. Mas foca no assunto. Estou precisando de dinheiro e você vai ter que me dá.
Alice séria: Nunca! Se você quiser vá pedir a tua mãe. Não conte comigo.
Luíza venenosa: Luigi ia adorar saber mais podres da falsa mãe dele. Tipo que ela já matou um homem e que esse homem era o pai dele e descobrir principalmente que a mãe biológica dele está viva. – ela sorri. – Então titia?
Alice furiosa se levanta: Como é que você descobriu isso?! Você andou ouvindo minhas conversas atrás da porta?! Fofoqueira!
Luíza cínica: Eu?! Imagina. Eu descobri. Eu posso até ter cara de santa, ingênua, mas eu não sou. Sou muito mais esperta do que você imagina. Por essa você não esperava.
Alice com olhar diabólico: Sabe o que aconteceu com a última pessoa que me ameaçou com uma informação e me pediu dinheiro?
Luíza se levanta furiosa: NÃO TENHO MEDO DE AMEAÇAS. ISSO NÃO ME MOVE. Eu sei usar as coisas para o bem e também sei usar as coisas para o mal. Adéquo em aquilo que me convém. É uma informação valiosa demais. Não vou pedir barato.
Sérgio chega.
Alice sorri: Eu vou pedir para o Sérgio pegar o dinheiro para você. – ela olha para o Sérgio. – No porão tem o cofre. Leva ela Sérgio.
Sérgio sem entender: Não é no escritório o cofre?!
Alice o olha: Eu pedi que tirassem de lá. Estava muito suspeito. Anda Sérgio. Não quero continuar sendo ameaçada por essa cobra.
Luíza se levanta: Gosto assim. – ela sorri.
Sérgio leva Luíza até o porão.
No porão…
Sérgio, procurando a chave no bolso: Acho que esqueci a chave em outro lugar. Vou buscá-lo.
Luíza estranha: Cofre não é senha? Olha só se vocês estiverem aprontando alguma coisa para mim, eu saio fazendo um escândalo e coloco sua patroa no devido lugar: NA CADEIA!
Sérgio: Na verdade é a chave. É a chave. Do quadro. – ele aponta para um quadro na parede. – O cofre fica ali dentro.
Luíza vai em direção ao quadro e Sérgio aproveita para correr. O homem pega a chave do porão, fecha a porta e a tranca.
Dentro do porão…
Luíza furiosa: SEUS DESGRAÇADOS! ME TIRA DAQUI! SÉRGIO! ME TIRA DAQUI AGORA SEU MORDOMO MALDITO.
A jovem bate forte na porta e Sérgio se diverte do lado de fora. Alice aparece sorrindo, radiante com os gritos de desesperos da sobrinha.
Cena 5. Rio de Janeiro – Delegacia / Noite
Simone trabalha. William também. Barros chega.
Barros com lanche: Comida! A doutora trabalhou tanto hoje e nem se alimentou direito. Vamos comer?!
William ergue a cabeça e sorri: Ah, Barros, não precisava se incomodar. Eu mesmo ia comprar minha própria comida. Mesmo assim, obrigado.
Barros furioso: Muito folgado mesmo. Não trouxe pra você! Só para a DOUTORA e para mim.
William se levanta: Credo. Você já foi mais educado. Vou lá fora comprar alguma coisa.
William sai.
Barros sorri: Enfim a sós. Vamos comer?
Simone pega o lanche: Agradeço. Mas custava ser um pouco mais educado com ele? Ele tá se esforçando!
Barros se senta e ri: Se esforçando? É um folgado isso sim. Não faz nada. Fica sentado, lendo documentos e acha que isso é trabalho.
Simone sorri: Essa relação de vocês dois já está passando dos limites. Você sabe muito bem que entre eu e o William não temos mais nada.
Barros ri: Vou deduzir que você está insinuando que eu estou com ciúmes.
Simone pensativa: Não vamos falar disso. Eu estou preocupada Barros. Tem alguma coisa nessa cilada que não se encaixa.
Barros larga o lanche: Tudo se encaixa! A pessoa que matou o Petrônio tentou te matar. Simples. Queria te fazer de mais um vítima.
Simone furiosa: Não. – ela se levanta. – Essa pessoa é amadora demais. A Clarice não está na minha lista. Ela é mais inteligente do que a gente imagina. E aquela história com a placa está tudo muito estranho. – ela tira uma folha da impressora. – Olha essa foto da placa ampliada. O erro na placa está claro. Essa placa foi adulterada. E quem tinha a intenção de prejudicar a mulher?
Barros perplexo: Aquela outra maluca. Alice o nome dela?
Simone se senta: Bingo! Essa mulher é a minha principal suspeita. Se fez de inocente, me convenceu que a Clarice tinha atirado no Sérgio, mas ela é a verdadeira vilã dessa história.
Barros chocado: Agora tudo começa a se encaixar. E você vai continuar investigando?
Simone determinada: Claro! Eu não sossego enquanto não encontrar o assassino do Petrônio e isso agora vai além. Essa pessoa tentou me matar! E eu vou descobrir quem foi. Ou melhor, vou ter provas o suficiente para colocar a Alice na cadeia. Eu tenho certeza que é ela!
https://www.youtube.com/watch?v=IUM4upJvjJk
Cena 6. Rio de Janeiro – Leme / Apt. Da Clarice / Noite
Quarto de Paloma…
Igor bate na porta: Posso entrar? Não vou atrapalhar?
Paloma sorri: Entre. – ela se levantada da cama e guarda o livro. – Não. Já estava terminando o livro.
Igor senta-se na cama: Eu queria conversar com você. Aconteceu tanta coisa nesses últimos dias. E a gente se afastou um pouco. Eu fiquei preocupado. Aconteceu alguma coisa?
Paloma sorri: Você mesmo respondeu: Tanta coisa! Nossa família virou um campo de guerra. Acabo de descobrir que durante anos da minha vida eu fui enganada pela mulher por quem eu tinha uma maior admiração. E descubro que a minha tia na verdade é minha mãe. Acho que isso é suficiente.
Igor calmo: Eu vim conversar numa boa. Não me culpa pelo o que está acontecendo. Não pense que só pra você está sendo doloroso.
Paloma se levanta: Nunca fui egoísta para pensar isso. Eu só realmente preciso de um tempo. O meu tempo. De me acostumar com toda essa confusão que está acontecendo. Se é que eu vou me acostumar.
Igor se levanta também: E a gente? Esquece família.
Paloma o encarando: O problema é que agora a gente mais do que nunca é uma família. Somos irmãos!
Igor: Meio irmãos!
Paloma: Não importa. Eu me sinto mal pensando NA GENTE. É desconfortável.
Igor ri: Enquanto primos era agradável? Essa nossa relação para os outros nunca foi agradável. Mas pra gente sim! Sabe por quê? Porque a gente se ama.
Paloma: Vai muito além, Igor. Se antes já éramos condenados. Agora então.
Igor sorri: Seu mal é se preocupar demais com que os outros pensam. Nossa relação cabe a mim e a você entender da maneira que quiser. Ninguém tem nada a ver com nossa vida e muito menos o direito de interferir pra tentar opinar.
Paloma: Eu sei que não. Eu só estou querendo um tempo. Um tempo para essa poeira abaixar e todo mundo esquecer-se dessa história.
Igor abre os braços: Um abraço pelo menos?!
Paloma sorri e vai abraçar o jovem, que lhe dá um beijo na bochecha. Kiara entra na hora.
Kiara furiosa: Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?!
Paloma se afasta do abraço: Com que direito você sai entrando no meu quarto assim? Que liberdade é essa que você acha que eu te dei?!
Kiara sem entender: Filha, quê isso?! Isso é/ – ela é interrompida.
Paloma furiosa: Para de me chamar de filha. Eu não sou sua filha!
Kiara entra: Claro que é! Sempre foi e sempre será. Não nasceu do meu ventre, mas saiu do meu coração. Ingrata. Sempre te dei tudo do bom e do melhor e você me trata desse jeito.
Paloma se afasta da mulher: Faltou ser sincera comigo. Verdadeira e leal. Me traiu da pior maneira e ainda acha que tem direito de se intrometer na minha vida. A minha verdadeira mãe está morando na favela. Você não passa ad minha tia. Agora sai daqui! Eu não quero olhar pra sua cara.
Kiara chorando: Filha, por favor. Deixa eu/
Paloma furiosa: EU JÁ MANDEI VOCÊ SAIR DAQUI! – Kiara vira-se, humilhada. – Ou. – Kiara para, mas continua de costas. – O dia que eu quiser ouvir suas explicações baratas e suas lamentações, eu te procuro. De resto, evita falar comigo. É constrangedor.
A mulher sai chorando do quarto, humilhada. Igor olha para Paloma, perplexo.
Cena 7. Rio de Janeiro – Lagoa / Apt. Da Alice / Noite
Alice está jantando. Sérgio no canto, observando a patroa.
Alice o olha: Leva uma quentinha depois para a sem noção da minha sobrinha. E leva frio. Se possível gelada. Deixa-a sofrer um pouquinho.
Sérgio: Madame, daqui a pouco dona Gisele chega. Ela não vai gostar de vê a filha trancada dentro do porão.
Alice: Ela não tem que gostar de nada. E outra que a Gisele nem tão cedo volta. Assim espero. Preciso tirar o corpo do homem dessa casa antes que ela chegue. – a mulher volta a fazer sua refeição.
Sérgio chocado: Eu estou horrorizada. – Alice o olha. – Ô. Horrorizado. Foi erro nas cordas vocais.
Alice bebendo vinho: Não tem que ficar. Se não fossem os produtos perigosos que a Gioconda passou, nada disso teria acontecido.
Sérgio sem entender: Gioconda?! Mas não foi a senhora que o empurrou?!
Alice se levanta e o olhar fatal: Quem disse isso?! Até onde eu sei ele caiu sozinho, por conta dos produtos. Eu só escondi o corpo para evitar constrangimento. Confere?
Sérgio com medo: Confere sim. – a campainha toca. – Vou atender! Com licença.
Sérgio sai apressado. Alice vai logo em seguida.
Sérgio abre a porta: Meu Deus, não pode ser.
Alice senta-se no jornal: Que foi?! Viu fantasma?!
Sérgio boquiaberto: Quase isso.
Soninha tira os óculos: Que foi meu mordomo predileto? Não vai me deixar entrar?!
Alice dá um pulo do sofá: Soninha?! Meu Deus quanto tempo!
Soninha entra, puxando as malas: Quem é vivo sempre aparece. Ou outra melhor: o bom filho, a casa torna. Achou que fosse se livrar de mim pra sempre? Engano seu.
Alice abraça a mulher: Jamais. Você faz falta na minha vida. Cúmplice de tudo na minha vida. O que seria de mim se você.
Soninha se senta: Ainda bem que reconhece. Acho justo que você recompense meus anos de favores me dando um lugar para ficar. Não?
Alice radiante: Claro que sim! Aliás, vou preparar o melhor quarto pra você. Por que não me avisou que vinha? Tinha ido de buscar no aeroporto.
Soninha feliz: Quis manter a surpresa. Fiquei chateada depois do golpe que você me deu. Mas sem ressentimentos. Uma vez amigas, amiga para sempre. – ela se levanta. – Viagem cansativa. Estou louca para usar o banheiro. Posso ir ao lavabo?
Alice nervosa: NÃO! – Soninha estranha. – Está em manutenção. Tem o banheiro logo ali. Primeiro corredor à esquerda.
Soninha ri: Você não me engana, Alice. Tá escondendo o quê dentro do lavabo que eu não posso ver?!
Corte descontínuo.
Alice abre a porta do lavabo.
Soninha chocada: Meu Deus. Você não é fraca não, em. Matou o homem por quê?! Teu amante?
Alice fecha a porta: Claro que não! Minha cara de quem vai colocar amante dentro de casa. Era um namorado da minha irmã.
Soninha chocada: A Gisele está aqui?! Jesus, quantos babados. E a filha dela? Cresceu?
Alice: Cresceu e virou uma menina nojenta. Que já dei um jeito de me livrar.
Soninha ri: Chacina?! Achei que você andava meio caidinha. Me enganei.
Alice sorri: Quem é rainha nunca perde a majestade. Mas não matei a menina não. Só que a desgraçada veio me ameaçar e seu fim foi parar no porão, trancada. Espero que encontre ratos e baratas.
Soninha ri: Conta mais. E esse rapaz?
Alice sorri: Me ameaçou também. Só que ele não teve a mesma sorte da minha querida e amada sobrinha. Agora eu preciso me livrar do corpo e acho que você pode me ajudar.
Soninha sorri: Posso?!
Nas escadarias…
Alice e Soninha descem com o corpo, até chegar à garagem. Elas percebem que não tem ninguém na garagem e aproveitam parar sair do radar das câmeras. Soninha taca uma pedra em uma câmera. Ela entra no carro e traz o carro até a porta de saída das escadas. Alice abre o porta-malas e coloca o corpo do homem. Soninha estaciona o carro. Elas esperam um tempo. Alice sai da porta e entra no carro. Soninha arranca.
Nos fundos do prédio…
Soninha termina de abrir a cova: Eu estou chocada com suas vilanias. E ainda me envolve nisso. Estou me sacrificando para enterrar um homem. Pelo menos não é vivo.
Alice ri: Seria crueldade demais com o homem. O pobre coitado já morreu todo cortado. Minha estátua valiosíssima caiu em cima dele.
Soninha joga a enxada longe: Posso imaginar o estrago. – ela respira fundo. – Pronto, só jogar.
Alice pega o homem e joga na cova: Perfeito! Agora é só jogar a terra por cima.
As duas começam a terra, até terminar tudo.
Corte descontínuo.
Alice sorrindo: Me livrei de um. Espero que não tenha que fazer mais isso. Odiei essa ideia de ter que abrir cova. Da próxima vez, mato do modo tradicional: com veneno. Mais fácil e mais prático. Digo que foi parada cardíaca ou algo do tipo.
Soninha ri: Existe autópsia pra quê?! Hoje quando querem descobrir alguma coisa, dão um jeito rapidinho. Agora vamos. Ninguém pode nos ver aqui.
Alice vai em cima da cova: Antes me deixa fazer uma coisinha! – a mulher começa a sambar na cova e ri maleficamente.
Soninha ri vendo a cena: Você não mudou Alice. Não demonstra um pingo de remorso. É por isso que eu voltei. Nos damos bem juntas. Podemos ainda fazer uma grande parceria.
Alice sai da cova: Você me deu uma ótima ideia. Você seria capaz de qualquer coisa?
Soninha sorri: Qualquer coisa!
Alice sorrindo: Antes de irmos comemorar esse início de parceria, quero te pedir uma coisa.
Soninha: Diga.
Alice séria: Me ajuda a explodir a revista.
Soninha perplexa: Meu Deus. Você enlouqueceu mesmo.
Alice sorri: Vai me ajudar ou não?
As duas se encaram.
Cena 9. Rio de Janeiro – Leme / Apt. do Stênio / Noite
Gustavo pega o papel que Stênio deixou. Na sala…
Sheyla, ao telefone: Atende o telefone. – tempo. – Alô!
Michel, ao telefone: Doutor Michel. Quem fala?
Sheyla, ao telefone, sorrindo: Ou Doutor. Sou eu: Sheyla, esposa do teu cliente.
Michel, ao telefone: Esposa do Stênio. Estou certo? Aconteceu algum problema?
Sheyla, ao telefone, sem entender: Como assim aconteceu algum problema? Você deve ter sido notificado da morte do meu querido esposo.
Michel, ao telefone: Fui notificado sim. Meus pêsames! Eu tentei fazer contato com o Stênio, mas não consegui. Queria ter ido falar com ele antes de vê-lo partir. Stênio era um querido.
Sheyla, ao telefone, ri: Era querido por todos. Mas a minha ligação não foi parar falar disso. Eu vim perguntar sobre a leitura do testamento. Eu estou ficando desesperada. Estou prestes a ser expulsa do meu apartamento.
Michel, ao telefone, sem entender: Testamento? Que testamento?! O Stênio não me falou nada disso. Eu nem conversei com ele nos últimos dias.
Sheyla, ao telefone, furiosa: Como não?! Eu tenho uma cópia autenticada e assinada por ele. E o cartão que está dentro do envelope contém o seu número.
Gustavo chega e fica atrás de Sheyla. Ela não percebe.
Michel, ao telefone: Deve ter acontecido algum engano. Eu não estou sabendo de nada. Ele deve ter pedido a outro advogado. Sinto muito em não poder te ajudar.
Sheyla, ao telefone, furiosa: Tudo bem. Até mais!
A mulher desliga o telefone.
Sheyla furiosa: Desgraçado. O que será que esse bandido fez?
Gustavo com um envelope na mão: Bandido aqui é você. Desgraçada!
Sheyla vira-se furiosa: O que você está fazendo aqui?! Graças a Deus vai ser questão de tempo. Logo eu tomo posse de tudo isso e você vai vazar desse apartamento. Nunca mais terei que olhar para essa sua cara patética.
Gustavo abre o envelope: Quem vai vazar desse apartamento é você. O testamento que você recebeu do Stênio não tinha validade. Muito mal era reconhecido em firma. Como você é burra!
Sheyla pega o envelope: Que brincadeira de mal gosto é esse? EU NÃO ESTOU GOSTANDO DESSA BRINCADEIRA.
FLASHBACK
Sheyla sorri: Aí não tem graça. – ela se aproxima dos aparelhos de Stênio. – Você vai fazer muita falta. Viu? Mas… Hora de descansar amor!
Stênio desesperado: SHEYLA NÃO! EU PRECISO TE CONTAR QUE/ – A mulher desliga os aparelhos. Ele vai perdendo o ar e não consegue finalizar.
A mão de Stênio cai e treme. O homem dá seus últimos suspiros, tentando puxar ar, desesperando, sofrendo, morrendo aos poucos, vendo a mulher que tanto amou lhe desprezando, impiedosa, assistindo sua morte. Stênio morre e não deixa o seu último recado, tentando contar o acordo que fez com Gustavo. Sheyla pega sua bolsa. Liga os aparelhos e coloca a máscara em Stênio, para que ninguém perceba algo de errado. Ela abre a porta, olha ao redor e não vê ninguém. A mulher sai apressada, cabisbaixa.
FIM
Sheyla furiosa: Então era isso que o desgraçado queria me contar. Meu Deus como eu fui burra! COMO EU PUDE TER SIDO ENGANADA POR VOCÊS DOIS!
Gustavo sorri: Eu disse que ia vingar a morte do meu irmão. Pra começar você vai sair desse apartamento imediatamente. E não precisa arrumar suas coisas. Eu vou jogar tudo no lixo.
Sheyla começa a jogar as coisas longe: EU VOU DESTRUIR ESSE APARTAMENTO. EU NÃO VOU SAIR DESSA MERDA DE CASAMENTO COM UMA MÃO NA FRENTE E OUTRA TRÁS! NÃO VOU!
Gustavo tenta lhe segurar: VOCÊ VAI SAIR DAQUI DO JEITO QUE ENTROU! SEM NADA! SAI DAQUI AGORA!
Sheyla taca os vasos na parede: VOCÊ NÃO SABE DO QUE EU SOU CAPAZ DE FAZER. EU VOU TE MATAR SEU MALDITO! EU VOU TE COLOCAR NO MESMO LUGAR QUE TEU IRMÃO: NO INFERNO. NO CEMITÉRIO!
Gustavo segura a mulher: EU SEMPRE DESCONFIEI DESSA SUA ÍNDOLE. AGORA CHEGOU A HORA DE VOCÊ MOSTRAR QUEM VOCÊ É DE VERDADE! ISSO! VAI!
Sheyla taca um vaso na televisão: EU VOU ACABAR COM SUA VIDA!
Gustavo rindo: Isso! Quebra! Eu não vou nem levar em consideração. VOCÊ É LOUCA! SURTADA!
Sheyla para: VOCÊ AINDA NÃO VIU LOUCA E AGORA VOCÊ VAI CONHECER A LOUCA! EU VOU TE MOSTRAR O QUE É O INFERNO!
Os dois se encaram. Gustavo não se intimida.
Fim do Capítulo 34!
Adorei ver a reconciliação de Leandro e Clarice, eles merecem ser felizes juntos. Até porque têm uma bela família, e a solução é passar uma borracha no passado. O que importa agora é o presente e o futuro.
Por favor vocês dois! Agora vocês são meio-irmãos, antes quando eram primos até ia… mas as coisas tomaram maiores proporções!! Então Igor e Paloma tenham juízo, por favor. Outra que eu não gostei de ver a Kiara sendo praticamente “pisada” pela própria filha (pois mãe é aquela que cria).
Adriana para com isso, pelo amor de Deus, escuta o que a Fernanda está lhe dizendo… esconder isso da Stacy só vai fazer com que ela se revolte ainda mais no futuro quando descobrir a verdade.
Luíza acabou indo parar no porão, tadinha. Torço para que Gisele chegue logo e a tire de lá.
Essa Alice tem sangue frio mesmo. Matou o Ferraz, fez Gioconda limpar o chão com ela, teve a coragem de inventar que o homem escorregou por culpa de produtos, e ainda samba na cova do defunto!! Eu hein, crueldade. O pior é que essa tal de Sônia já chega ajudando nas barbáries!! Prevejo que boa coisa não vem por aí com essa dupla em jogo.
Simone já matou a charada. Mulherzinha esperta!! Gosto assim. Tá colocando Willian e Bastos no chinelo.
Agora sim eu gostei de ver, Gustavo detonou com a vagaba da Sheyla!!