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Sombras do Passado

Sombras do Passado – Capítulo 11

Capítulo 11: Um dia quase normal!

“Tente mover o mundo – o primeiro passo será mover a si mesmo”

 A corrida estava complicada. Estávamos lado a lado. O Meia-Noite começou a nos ultrapassar. Tentei acelerar e consegui alcança-lo. Logo Pedro me alcançou e depois a Luna. Estávamos chegando perto da minha casa. Consegui ficar na frente, porem, Pedro me alcançou. Acho que vamos empatar. De repente, o Meia-Noite nos ultrapassou e chegou em primeiro lugar. Droga! Eu nunca vou ganhar uma corrida. Luna chegou em segundo lugar e, em seguida Pedro e eu chegamos juntos em último.

– Isso não é justo! _ o Pedro começou a dizer _ Eu dei a ideia de apostar uma corrida! Eu que deveria ter ganhado! _ ele fez uma carinha de desapontado.

Eu ri!

– Vá se acostumando, Pedro! É difícil ganhar do Meia-Noite! _ eu disse.

Ele me olhou e sorriu.

Ficamos em silencio por alguns instantes, recuperando o fôlego. O Meia-Noite e a Luna estavam sentados ao nosso lado. Eu não acredito que o cara que eu sempre odiei e, que também parecia me odiar, está aqui comigo rindo e conversando!

– Por que você sempre me odiou tanto? _ eu perguntei.

Ele pareceu um pouco desconcertado com minha pergunta.

– Teoricamente, você ameaça a vida de todos os mestiços aqui na Terra, e eu sempre soube disso! Existem muitos mestiços que não fazem mal a ninguém e só querem uma vida normal. Não posso deixar que façam mal a eles. Mas não é nada pessoal, entende? _ ele disse.

– Claro! _ eu dei um sorriso amargo _ a qualquer momento eu posso sair arrancando os membros das pessoas para comer no jantar!

– Alicia, eu só quero ter certeza de que na hora certa eu vou conseguir fazer o necessário para salvar essas pessoas! E isso não inclui ser seu amigo! Você entende o quanto seria difícil impedir você se eu for seu amigo? Mas eu prometo pegar mais leve com você! _ ele disse.

– Tudo bem! _ eu disse. _ acho que eu entendo!

– Que bom! _ ele sorriu. _ Eu tenho que ir. Vamos, Luna?

Luna se aproximou de mim e eu a fiz um carinho.

– Tchau, Alicia! Tchau, Meia-Noite!

– Tchau! _ eu respondi.

Ele se virou e foi embora pela floresta.

Eu abri o portão e entrei, o Meia-Noite chegou perto de mim para que eu o fizesse um carinho, em seguida ele saiu para a floresta. Eu entrei em casa, deixei meu tênis na lavanderia e, subi para o meu quarto.  Peguei uma toalha e fui tomar um banho. Eu não conseguia parar de pensar no Pedro e na Luna.

Nossa, a Luna é linda… E o Pedro também. Foi bom eu ter encontrado ele e finalmente ter a chance de esclarecer as coisas. Acho que até entendi o lado dele. Sinto mais vontade de descobrir uma forma de quebrar minha maldição.

Hoje é o grande dia. O dia em que eu irei partir para uma aventura nada emocionante. Será que nós vamos conseguir pegar o livro? Será que nós vamos no mínimo conseguir voltar para casa? Na verdade isso já não importa mais. Afinal, se eu não conseguir pegar esse livro alguém vai acabar me matando para que eu não prejudique o mundo. E se eu conseguir pegar o livro, o demônio braço direito de satã vai querer vir atrás de mim. Então de todas as formas eu já estou em péssimos lençóis.

Terminei o meu banho, me enrolei na toalha e, fui até o meu quarto. Ao terminar de me arrumar, olhei no relógio, eram nove e quinze. Minha mãe deve estar no serviço, e ainda está muito cedo para começar a fazer o almoço, então resolvi assistir TV.

Fiquei assistindo até dar a hora de fazer o almoço. Eu não sou de fazer almoço, mas já que hoje eu estou em casa, então não custava nada fazer esse agrado para minha mãe. Fui até a cozinha e comecei a preparar o almoço.

Hoje eu devo ser forte, demonstrar para o Rodrigo e para Daiana que eu não serei um peso a mais nessa viajem. Isso será difícil. Fiz o almoço pensando em milhares de coisas ao mesmo tempo. Quando terminei, me servi e, me sentei para almoçar. Ouvi um barulho, alguém estava abrindo a porta da frente.

– Oi filha!

Era minha mãe.

– Oi mãe! Como foi o trabalho?

– Cansativo! Vou tomar um banho! _ Ela subiu.

Continuei meu almoço. Quando estava terminando de comer minha mãe desceu.

– Alicia, tem certeza que quer mesmo ir a essa viajem?

– Tenho sim! _ eu respondi confiante.

– Tome muito cuidado, entendeu? _ ela disse me puxando para um abraço. _ Não posso perder você!

– Você não vai me perder, eu vou voltar! _ eu disse tentando tranquiliza-la.

Abraçamo-nos forte por alguns instantes. Eu a fiz companhia enquanto almoçava, conversando com ela sobre diversos assuntos.

Após arrumar a cozinha, eu subi para meu quarto e liguei o notebook para passar o tempo. Antes de sair para o serviço minha mão passou em meu quarto e se despediu de mim. Nós demos um longo e demorado abraço, e ela me deu alguns conselhos. Por um instante eu imaginei o que meu pai verdadeiro diria se soubesse que sua filha está indo se aventurar em um lugar tão perigoso, mas o fato é que ele não estava aqui.

Passei boa parte da tarde tentando fazer coisas que me distraíssem e tirassem minha ansiedade. Estava terminando de organizar minhas roupas quando ouço o telefone tocar. Desço para atender.

– Alô! _ eu disse.

– Oi Alicia! É a Daiana! Tudo bem?

– Oi Daiana! Eu estou bem! E você?

– Estou bem! Estou ligando para te avisar que nós partiremos daqui a duas horas.

– Esta bem! Eu devo levar alguma coisa?

– Não precisa! Eu já cuidei de tudo. Estou te esperando em minha casa daqui a duas horas. Certo?

– Certo! Eu estarei aí!

– Tchau! _ ela disse.

-Tchau!

Desliguei o telefone. Olhei para o relógio, eram quatro e quinze, tenho duas horas para me preparar.

Fui até a cozinha comer alguma coisa, em seguida subi para o andar de cima, onde eu tomei um demorado banho e vesti minha calça jeans preta com uma blusa rosa bebê, e calcei um tênis All Star. Sequei e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo.

Sempre que eu tenho algum evento importante para comparecer eu fico uma pilha de nervos, e para me sentir mais segura e mais calma eu faço uma maquiagem bem demora. Não sei bem porque, mas isso me acalma, me deixa mais segura e poderosa.

Hoje não poderia ser diferente, eu estava extremamente ansiosa e nervosa, então passei um tempinho me maquiando em frente ao espelho, e como previsto, quando terminei eu estava bem mais calma.

Então ouvi o telefone tocar. Desci e atendi.

– Alô! _ eu disse.

– Oi! _ disse a voz no telefone.

– Quem esta falando? _ eu perguntei. Não conseguia reconhecer que era o dono da voz.

– É o Pedro. _ ele disse.

– Oi Pedro! Tudo bem? Algum problema? _ comecei a me preocupar. Pedro nunca havia e ligado até hoje.

– Não, não! Eu só queria desejar boa sorte em jornada _ ele disse.

– Ah! Muito obrigada! _ eu estava surpresa.

– Alicia! Tome muito cuidado está bem?

– Pode deixar, não precisa se preocupar você ainda vai ter muito tempo para me odiar. _ eu disse sorrindo.

– Eu não odeio você! _ ele disse.

– Estou percebendo. Que preocupação é essa comigo agora? _ eu disse o provocando.

– Não é nada pessoal. Eu só estou preocupado por que é muito importante que você consiga pegar esse livro. _ ele disse.

– Com certeza. Obrigada, Pedro! Espero que você também se cuide. _ eu disse.

– Certo. Farei o possível. _ nós dois rimos.

– Esta bem! Mais alguma coisa? Alguma recomendação? _ eu perguntei.

– Apenas tente voltar viva. _ ele disse.

– Certo. Tchau, Pedro!

– Tchau, Alicia! _ ele respondeu.

Desligamos.

Qual é a desse garoto? Sempre me odiou e agora está cheio de amores para o meu lado. Não que eu não esteja gostando, mas não posso negar que essa aproximação repentina seja estranha. Sem falar daquele pequeno incidente na casa de Karina, quando parecia que ele havia me enfeitiçado e entrado na minha mente para questionar meu namoro com Rodrigo. Senti um arrepio.

Olhei para o relógio, estava quase na hora. Subi, dei uma última olhada em meu quarto, apaguei as luzes, tranquei a casa e saí.

Andei pelas as ruas da pequena Angel City cantarolando uma música qualquer em minha mente.

Cheguei à casa de Daiana e bati na porta. Logo alguém veio m receber, era o Rodrigo

– Oi, Alicia! Entre! _ ele disse sorrindo.

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