Segundo Capítulo – Maçã do Amor
Capítulo 02
Cena 01/ Mansão de Papis. Sala de Estar. Dia.
Mamis continuava em sua ligação para encomendar o seu tão sonhado anel, porém a sua alegria se transformou em fúria:
Mamis (ao telefone) – O quê?! O meu cartão foi recusado?! Tente mais uma vez, meu rapaz … Não passou de novo? Mas isso é um absurdo! Só podem estar passando a perna em mim! Saiba que tudo isso é uma grande injustiça dessa joalheria de quinta! E fiquem sabendo que comprarei um anel MUITO mais caro do que esse, e falarei pra toda a impressa disso que estão fazendo, está me ouvindo? Passar bem. – Finalizou, desligando o telefonema raivosa.
Assim que recolou o telefone no gancho, pegou a sua bolsa e direcionou-se para a porta, fechando-a com tudo ao sair.
Cena 02/ Edifício público. Fachada do edifício. Dia.
Cortes descontínuos do trânsito nas avenidas da cidade de São Paulo, efeito sonoro descontraído (“Qual é?” – Marcelo D2). Encerra, mostrando um veículo, um táxi, estacionando na frente do prédio.
Mamis (off) – Como assim o meu cartão está sendo recusado, motorista?! Isso é uma calunia! – Protesta indignada, saindo do carro, entrando para dentro do prédio sem lhe dar ouvidos.
Taxista (gritando de dentro do veículo) – Ei, minha senhora, volte aqui! Alguém precisa pagar a corrida! Polícia! …
Escritório, presente no prédio.
Papis e Canadense estavam sentados em uma cadeira bem de frente a mesa do político, Deputado Cunha.
Continuavam o assunto de sua reunião:
Papis – (…) Pois bem, senhor Deputado, creio que este contrato trará benefícios tanto para você quanto para mim. – diz, empurrando um papel sobre a mesa.
Deputado – Pois é, caro Papis, se você ganhar nessa eleição, terei certeza disso… – confirma pensativo, enquanto rolava os olhos pelo papel.
Até que os gritos do lado de fora da sala, atraem as atenções de ambos para o “escândalo” detrás da porta:
Secretária (off) – Minha senhora, eu já lhe disse que eles estão em reunião. Aguarde só mais alguns minutos?
Mamis (off) – Não quero saber, isto é uma emergência!
Secretaria (off) – Senhora, não …
As vozes iam se aproximando da sala, até a porta do escritório ser aberta brutalmente, surpreendendo todos:
Deputado – Mas quem é essa mulher? Tire-a daqui!
Secretaria (morrendo de medo de ser demitida) – Patrão, eu avisei para ela que vocês estavam em reunião, mas ela não me deu ouvidos …
Deputado – Pois então, chame o segurança.
Papis (envergonhado) – Não … será preciso, deputado. Essa é … a minha esposa.
Mamis fica parada em sua frente, com um ‘olhar matador’ direcionado ao marido:
Mamis – Precisamos conversar!
Sala reservada, presente no escritório.
O casal se encaminhou para um outro ambiente, afim de poderem conversar em particular:
Papis (nervoso) – Mas que diabos deu em você para interromper esta bendita reunião?!
Mamis – Meus cartões. Todos eles foram recusados. Todos! – revela, como se essa fosse a maior tragédia do mundo.
Papis – Recusados? Todos?
Mamis (chorando) – Sim!
Papis – Mas como?!
As portas da sala se abrem, e Canadense entra, se intrometendo no meio da conversa:
Canadense – Eu sei como isso foi acontecer.
Papis – Estava ouvindo por detrás da porta?
Canadense – Isto não vem ao caso. Mas este ocorrido, possui explicações.
Mamis – Como?! Como isso foi acontecer com os meus queridinhos cartões? – interroga, dramática.
Canadense – Isso era a outra coisa por eu ter ido na casa de vocês pela manhã, mas os senhores não me deixaram falar.
Papis – O que de tão grave aconteceu?
Canadense – Vocês … os dois … estão … falidos. – revela.
Papis e Mamis (uníssono) – FALIDOS?! – repetiram, surpresos.
Mamis cai no chão desmaiada, ao ouvir a notícia.
Cena 03/ Lanchonete Pague & Coma. Refeitório. Dia.
Adão – Está aqui o seu café. – diz, depositando a xícara na mesa.
Cliente – Pera aí! Isso aqui está sem açúcar. – reclama, após experimentar um gole.
Adão – Se quiser tomar café com açúcar, pois que vá tomar na sua casa. Já viu o preço do açúcar no mercado? É um absurdo! – rebate, retornando para a cozinha, deixando o cliente insatisfeito.
Cozinha.
Assim que entra, se joga na cadeira, exausto, pegando seu celular, conectando-se ao wi-fi.
Em poucos instantes, Éden entra na cozinha também, repousando sua bandeja na mesa, observando Adão de braços cruzados:
Adão (incomodado) – O que foi? Quer uma foto?
Éden – Se continuar tratando os clientes dessa forma eles irão ir embora. E daí não será só você a escutar aquela velha rabugenta dos infernos à falar nos teus ouvidos, não é verdade?
Adão – Ah, Éden, me deixa em paz! – fala desanimado, retornando sua atenção ao aparelho.
Éden olhando o celular do amigo, comenta interessado:
Éden – Ah, safadão! Quem é essa gatinha? – perguntou apontando para sua lista de contatos.
Adão – Sei lá, não conheço ela.
Éden – Então como ela foi parar justo na sua lista de contatos?
Adão – Eu vou saber? Acho que acabei pegando o número dela ontem à noite.
Éden – Viu! Não falei que a noite foi boa ontem?
Adão – Ah, não vem com essas de novo não …
Éden – Estava demorando mesmo para alguém fisgar esse coraçãozinho duro aqui. – brinca, dando cutucadas em Adão.
Adão – Pode tirando essa ideia da cabeça! Nem sei ao menos o nome dela …
E Éden captura forçadamente o celular das mãos do amigo:
Adão – O que está fazendo, bocó? Devolve o meu celular agora!
Éden – Bom, é melhor descobrirmos o nome dela então, não é?
Adão – O quê?! Devolve o meu celular, palhaço! – protesta, tentando pegar o aparelho de volta.
Éden começou a correr, e no meio desse ‘pega-pega’, parou do outro lado da cozinha:
Éden – Silencio! Está ligando ….
Adão então se rende, cruzando os braços, nervoso e ansioso pela resposta.
Cena 04/ Salão de beleza. Dia.
Eva – É melhor deixar esse assunto pra lá, ok? Pouco me importo com o cara que me trouxe ontem, não irei vê-lo e nem vou saber quem ele é mesmo. –falou irritada, voltando à dar a atenção para as unhas de sua cliente.
Naja – Bico calado então. – desiste, encerrando o assunto.
Naja, encerrando o seu trabalho em Griselda, pega o secador, espirra o laquê, girando sua cadeira logo após, de frente ao espelho, revelando o resultado:
Naja – E aí? O que achou?
Griselda – Bicha, ficou maravilhoso! – responde, empolgada com o cabelo novo.
Naja – Não te falei que vermelho lhe cairia bem?
Griselda – Sim! – se levanta da cadeira – Bem, vou indo nessa, preciso mostrar ao mundo minha beleza. Coloca na conta, tá? – pede, saindo saltitante do salão.
Naja e Eva se olham após sua partida:
Eva – Amiga, vermelho ficou horrível nela.
Naja – Eu sei, mas não iria falar isso para uma cliente, não é?
As duas riem maldosamente, voltando a atenção para suas tarefas.
Nisso o telefone de Eva começa tocar:
Eva (para a cliente) – Com licença. – se levanta, caminhando até a sua bolsa no outro lado do salão.
Desliza seu dedo pela tela, atendendo a ligação:
Eva – Alô? [Corta].
Cena 05/ Edifício Público. Escritório do Deputado. Sala particular. Dia.
[Tela escura, dando para escutar apenas as vozes].
Papis (off) – Esposa? Esposa? Acorde …
Aos poucos, os olhos de Mamis se abrem [a imagem da tela também] visualizando seu marido e o seu advogado agachados próximos à ela:
Mamis – O que aconteceu?
Canadense – A senhora desmaiou.
Mamis – Desmaiei? Mas, por quê? – até que aos poucos sua memória lhe recorda – Ah, não! Por favor, diga que foi tudo um sonho?
Canadense – O quê? Que vocês estão falidos?
Ouvindo isso, Mamis desmaia outra vez.
Papis – Ah, não! De novo não.
[Corta].
Papis (off) – Esposa? Esposa? Acorde …
Aos poucos os olhos de Mamis se abrem outra vez, encontrando Papis e Canadense sentados em sua frente:
Mamis – O que aconteceu?
Canadense – A senhora desmaiou.
Mamis – Desmaiei? Mas, por quê? – até que se recorda mais uma vez – Ah, não! Por favor, diga que foi tudo um sonho?
Canadense – O quê? Que vocês estão fa-…?
Papis (interrompendo) – Da pra calar a boca, palerma?
Canadense se encolhe, aquietando-se.
Papis pega nas mãos de Mamis, olhando-a no fundo dos olhos:
Papis – Precisamos ter uma conversa.
Mamis – Conversa? Sobre o quê?
Papis – Por favor, seja forte.
Canadense – MUITO forte. – acrescenta.
Mamis (interessada) – Ok. Digas.
Respira fundo antes de falar:
Papis – Nós …
Mamis – Nós …?
Papis – Estamos …
Mamis – Estamos …?
Papis – Fa …
Mamis – Fa …?
Papis – … lidos …
Mamis – Falidos?! – repetindo isso, Mamis desmaia novamente.
Papis – Ah, deixa ela aí agora! – fala impaciente, se levantando.
Seu advogado se levanta também:
Papis – O que é preciso ser feito para reconquistar a minha fortuna?
Canadense – Bom … Digamos que seja uma longa jornada até lá. Mas para princípio, terá que vender tudo o que tiver de valioso.
Papis – Você é quem toma conta de minhas fortunas, espero que saibas o que devo fazer.
Canadense – Sim, senhor Papis. Analisei todos os seus bens e patrimônios. E para início, o que pode ser feito é vender o seu apartamento de São Paulo.
Papis – Vender o meu apartamento de São Paulo? Não tem outro jeito não?
Canadense – Ou será o apartamento, ou então a sua amada mansão.
Papis (convencido) – Está bem, já que não há outro jeito.
Canadense – Tem certeza?
Papis – Pegue o meu telefone! Preciso fazer uma ligação … [corta].
Cena 06/ Salão de Beleza. Dia.
Naja- Quem era na ligação, hein, amiga? – pergunta, assim que Eva desliga o telefonema.
Eva (feição triste) – Era papai. – responde, guardando o celular na bolsa.
Naja – E o que ele queria?
Eva – Ele falou que estava vindo para São Paulo passar uma temporada.
Naja – Sério? E você não está feliz com isso por quê? – interroga, notando uma pontada de tristeza na amiga.
Eva – Porque o motivo de sua vinda será para resolver as papeladas do nosso apê.
Naja – Papeladas? Que papeladas?
Eva – Ele vai vender o nosso apartamento, Naja. – revela desamparada e frustrada.
Continua …