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Contratempo de Amar

Contratempo de amar – Capítulo XX

Diego não demonstrou nenhuma emoção quando percebeu que se tratava do meu tão falado ex-noivo, apenas pediu licença da sala e nos deixou sozinhos sendo seguido por Joana que sussurrou um “me desculpe” enquanto passava por mim. Frederico está com um ar travesso no rosto e eu sei que isso significa que ele está feliz. Não posso mentir, também sinto uma estranha alegria ao vê-lo aqui, percebi que sentia sua falta. Mas o que diabos ele está fazendo aqui?

 

– Essa é a hora em que você me abraça e me diz o quanto sentiu minha falta. – ele brinca, se levantando em minha direção. Dou um sorriso e o abraço fortemente.

– O que você está fazendo aqui? – pergunto, ainda sem saber como agir.

– Au, Isabel! Você já foi mais amigável. – ele se faz de ofendido.

– Você entendeu o que eu quis dizer… – me desvencilho do abraço apontando uma cadeira pra ele enquanto também me sento – Não esperava te ver tão cedo…

– Eu acho que você não esperava me ver nunca mais, Bel. – ele ri, tristemente.

– Fred… – abaixo o olhar, um pouco envergonhada ao me lembrar do nosso último encontro.

– Eu não vim até aqui remoer o nosso término. – ele diz, tentando dissipar o clima estranho que começou a aparecer.

– Eu não entendo. – confesso.

– Bel, nós passamos três anos juntos… Eu sinto sua falta.

 

Coro com a sua frase, mas ele logo se corrige.

 

– Sinto falta de você, não apenas do nosso namoro. – o encaro e ele continua – Quando a Catarina me disse que vinha te visitar, eu precisei me controlar muito pra não vir com ela… Ela me implorou pra deixar que vocês tivessem um tempo sozinhas, que você ainda estava se adaptando… Mas depois ela voltou, e eu estava contando com a primeira oportunidade pra vir até aqui. Eu precisava ver você de perto. Parece que não nos falamos há anos.

– Eu pensei que você estivesse com raiva de mim. – admito enquanto examino o seu rosto. Tinha me esquecido como ele era bonito.

– Eu fiquei. No começo. – sua expressão fica séria e ele segura minhas mãos – Mas eu tive algum tempo pra refletir… Eu sei que você passou por muitas coisas antes de ir pra Alemanha, Bel, e sei também que eu não tenho o direito de questionar ou de tentar entender, mas… Eu não sei. Eu só sei que senti a sua falta e que queria ver você.

– Fred, me desculpe. Eu não devia ter ido embora daquele jeito… – abaixo a cabeça quando me lembro da briga idiota no restaurante, mas ele levanta meu rosto – Você não merecia que eu te tratasse daquele jeito, não depois de tudo o que passamos juntos.

– Nossa, o Brasil realmente mudou você, Ávila. – ele sorri e eu retribuo, mas logo ouço as batidas na porta – Pode entrar!

– Isabel, me desculpe… Telefone pra você. – Joana diz ainda à porta e logo se retira.

– Quanto tempo você vai ficar? – pergunto a Frederico.

– Isso quer dizer que você me quer aqui? – ele pergunta e posso sentir a esperança em sua voz.

– Sim, eu quero você aqui. – respondo, sem pensar, e me surpreendo comigo mesma.

– Sendo assim, eu vou ficar enquanto você queira. – ele se levanta – Vou deixar você trabalhar e nos falamos mais tarde.

– Ok. – ele vem em minha direção e me dá um beijo na bochecha.

– Ok, Ávila. – pisca e sai da sala.

 

Meu coração está acelerado e eu não entendo o que acabou de acontecer. Eu não deveria estar tão derretida assim na presença do Fred… Mas por outro lado, ver um rosto amigo era mais do que eu precisava no meio de toda essa confusão. Me sinto estranha, como se estivesse fazendo algo errado, mas o que há de errado nisso? Ele está aqui, veio me ver, e eu quero que ele fique. É simples. No fim do expediente vou até a sala de Diego como de costume. Ele está sério, analisando uma pilha de documentos.

 

– Uh… Teremos uma noite longa hoje? – pergunto em tom de brincadeira, tentando sondar o seu humor depois de ter visto Frederico.

– Eu posso cuidar da papelada. – ele responde, sem me encarar – Acho que você tem muito papo pra pôr em dia com o Fred. – a forma como ele diz Fred me faz querer rir, mas me controlo, ele não está para brincadeiras.

– Eu não combinei nada com o Fred pra hoje. – tento imitar o seu tom – E você também tem uma noiva pra dar atenção, não é justo trabalhar sozinho. – alfineto, quase sem querer.

– Também? – ele pergunta, seco, e percebo minha gafe – Vocês reataram?

– Não! – respondo, prontamente, com mais vontade do que é preciso – O Fred está apenas me visitando.

– Nossa, que divertido. – responde, sarcasticamente.

 

O tom de ciúme que antes faria meu coração acelerar agora me causa apenas raiva. Diego está às vésperas do casamento, que direito ele tem pra sentir ciúmes? Ou pra se zangar porque meu ex-noivo está me visitando? Provavelmente o mesmo direito que eu tenho de sentir isso pela Valentina. Nenhum. Estou saturada desses joguinhos, e realmente não preciso desse drama na minha vida agora.

 

– Olha, Diego, não sei que bicho te mordeu, mas sinceramente, não estou com o menor interesse de descobrir. Quando você estiver curado, me ligue. Boa noite e bom trabalho. – saio da sala com passos fortes e posso sentir o olhar dele perfurando minhas costas, mas não me viro.

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