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Realeza

Capítulo 52 – Realeza

 QUINQUAGÉSIMO SEGUNDO CAPÍTULO

Cena 1- Clube Realeza- Tarde.
Marisa surge e estranha a presença de Maria Letícia. Maria José disfarça para que a amiga não perceba nada.

Maria José: Cada dia que passa você se supera. Não posso acreditar que chegou a tanto.
Maria Letícia: Eu te disse que você iria me pagar, não disse? Pois bem, chegou a hora de eu fazer acontecer.
Maria José: Você não pode fazer isto comigo, Maria Letícia. Marisa e eu estamos preparando uma festa para anunciar a que viemos.
Maria Letícia: Uma festa? E nem ao menos me convidaram? – Ela franze a testa. – Mas devo admitir que não tem evento mais perfeito para você me passar o clube para mim.
Maria José: Não estou me importando nem um pouco com esses papéis, eu não vou sair daqui.
Maria Letícia: Ah você vai. Não só daqui, como também da minha mansão. Você perdeu, Maria José e a única alternativa que lhe resta é sair dignamente desta história toda.
Maria José: Dignamente? E como é que eu faço isso? Estou vendo que não terei como finalizar isto dignamente.
Maria Letícia: Claro que tem. Na festa você irá admitir que não tem capacidade para comandar este clube, e que por isso está devolvendo ele a mim. E além do mais, dirá que está vida cheia de regalias, não condiz com você. Quer forma mais digna do que esta? Todos irão compreender o quão você é fraca.
Maria José: Vadia, você não passa de uma vadia. – Ela grita e tenta avançar em Maria Letícia, que recua. – Você vai me pagar por tudo isso, Maria Letícia.
Maria Letícia: Você se meteu com a pessoa errada, travesti nojenta. – Marisa entra no local. – Chegou quem não faltava.
Marisa: Maria Letícia? O que você está fazendo aqui? – Ela desconfia. – Maria José, será que pode me explicar o que está havendo?
Maria Letícia: Não interessa o que eu estou fazendo aqui, o meu assunto é com a travesti ali. – Ela aponta para Maria José. – Pare de se intrometer aonde não foi chamada.
Marisa: Se eu fosse você abaixava a sua crista. Você não manda mais aqui.
Maria José: Não é nada demais, Marisa. Maria Letícia veio fazer um apelo para que eu faça uma doação a ela.
Marisa: A que nível chegou, hein! – Ela tira sarro da cara de Maria Letícia. – Pedindo doação.
Maria Letícia: E eu espero que esse projeto de mulher opte por me ajudar, pois se não eu acabarei com a raça dela.
Marisa: Além de tudo é folgada. Se eu fosse você não deve um tostão para essa ingrata.
Maria José: Tenho dinheiro para dar e vender, Marisa. Não pesará no meu bolso dar alguns trocados para ela.
Maria Letícia: Eu voltarei. – Ela se aproxima da porta. – Na festa, para comemorarmos. – Ela vai embora.
Marisa: Você a convidou para a festa? – Ela pergunta surpresa.
Maria José: Será bom humilhá-la com o nosso sucesso. – Ela disfarça.

Cena 2- Cobertura de Severino- Tarde.
Severino diz que Ivan terá de engolir Marillu, já que ela irá morar ali com eles. O rapaz obriga o pai a escolher entre ela ou ele.

Severino: Não tem mais, nem meio mais. Você terá que aguentar a volta da sua mãe. Não era isso o que tanto queria? Que ela “ressuscitasse”?
Ivan: Falou certo, queria. Antes de saber que ela não passa de uma pilantra. Agora o que eu quero é distância.
Severino: O que você fez, foi totalmente imperdoável. E tenho que te dizer que… terá de lidar com isso.
Ivan: Por que eu vou ter que aguentar isso? Já disse que quero distância dela, e depois dos murrões que ela levou… duvido que volte aqui tão cedo.
Severino: Ai é que você se engana. Marillu está passando por um momento difícil na vida dela, e pediu para que eu a ajudasse.
Ivan: Contanto que você a ajude longe daqui, por mim tudo bem. Só não quero ter que ver a cara daquela mulher.
Severino: Pois terá que querer. A sua mãe está vindo morar conosco. – Ivan arregala os olhos. – Você a verá noite e dia, dia e noite.
Ivan: Você tá tirando uma com a minha cara, não é? Isso não pode ser verdade, você não chegaria a tanto. Por que a ajudaria, depois de tudo o que ela nos fez?
Severino: Não era você mesmo quem me dizia para ter perdoado ela, ao invés de matá-la? É o que eu estou fazendo. Perdoarei a Marillu por ter fugido de nós.
Ivan: Mas falei isso porque pensava que ela estava morta, só procurei outra forma para que você pudesse ter aplicado para solucionar o problema.
Severino: É só isso o que eu queria falar, Ivan. Amanhã mesmo a Marillu estará vindo para cá.
Ivan: Vocês estão fazendo isso para me provocar, tenho certeza. Aquela piranha não deve estar passando por problema nenhum.
Severino: Pode ter certeza que não estamos fazendo isso para te atacar. Eu só quero ajudar a sua mãe.
Ivan: Pois então o senhor terá que escolher entre ela e eu, porque os dois debaixo do mesmo teto… você não terá.
Severino: Sério que você está me fazendo escolher entre você e a sua mãe? – Ele sorri. – Você mais do que eu, deveria querer acolhe-la.
Ivan: Já te disse que odeio aquela mulher, o senhor não pode aceitar isso? Não odeio só ela, como também você. Mas o ódio por ela é maior, maior porque ela foi capaz de me deixar para ir embora sozinha.
Severino: Se você me odeia tanto? Por que eu deveria escolher por você? Se é assim, entre você e a Marillu… escolho ela.
Ivan: O senhor deveria me escolher porque não te odeio totalmente. Tenho ciência do que você fez por mim. Cuidou tão bem do filho que foi abandonado pela própria mãe. – Os olhos dele enchem de lágrimas. – Por mais que eu tenha ódio de você, lá no fundo… eu te amo.
Severino: Você me ama? – Uma lágrima salta de seu olho. – Isto é uma surpresa para mim. Ou será que está dizendo isso da boca para fora?
Ivan: Você sabe que tudo que eu tenho para falar, falo na cara. – Severino fica comovido com as palavras do filho.

Cena 3- Cobertura de Marisa- Tarde.
Maria Luiza e Melissa conversam.

Maria Luiza: Pois é, ele estava se envolvendo com a Gaby. Já logo fui alertando ela sobre o perigo.
Melissa: Pelo visto esse Ivan quer alguém que o acompanhe nesse mal caminho que ele resolveu seguir. Enquanto não encontrar alguém para se drogar com ele, não estará feliz.
Maria Luiza: O mesmo me ocorreu. Será que o pai dele sabe disso? Às vezes me sinto no dever de contar a ele, se é que ele já não sabe.
Melissa: Acho melhor você não se envolver com isso não, pode ser que sobre para você.
Maria Luiza: É, talvez seja melhor deixar isso para lá mesmo. Tudo que eu mais quero no momento é paz.
Melissa: E sobre aquelas fotos? A história se deu por encerrada?
Maria Luiza: Ao que parece, apagaram as imagens mesmo, ainda bem. Fiquei com tanto medo que aquilo vazasse para a imprensa.
Melissa: Realmente, todos estariam em cima de você, como um bando de urubus. – Ela faz uma pausa. – Você não vai acreditar em quem eu encontrei um dia desses.
Maria Luiza: Desculpa, mas não faço a mínima ideia. – Ela é sincera. – Quem foi?
Melissa: A sua mãe. E pelo que vi, ela continua muito bem. – Maria Luiza não se importa com a notícia. – Faz tempo que você não a vê, não é? Como você está se sentindo por isso?
Maria Luiza: Estou incrivelmente bem. Maria Letícia Lemes Corte Real não me faz nenhuma falta, tomara que não apareça nunca mais. Sei que é pecado, mas assumo que tomei nojo da minha própria mãe.
Melissa: Também não é para menos, prima. O que ela fez com você e o meu tio… foi imperdoável.
Maria Luiza: Não só nós como também com o Marcelo. Ela moveu céus e terra para separar o meu irmão da Daniele.
Melissa: Ela estava completamente louca com essa história. Mas creio que tenha se arrependido por perder tempo com isso, pois ela poderia ter aproveitado mais enquanto o Marcelo estava vivo.
Maria Luiza: Se ela não tivesse causado aquilo tudo, o Marcelo não teria se matado. De certa forma ela é culpada, tanto pela morte do meu irmão, quanto pela morte do meu pai.
Melissa: Assuntos tristes a parte, como é que anda esse seu coraçãozinho ai?
Maria Luiza: Acho que ele está indisponível para namoros e afins. – Ela sorri. – E o seu?
Melissa: Continua o mesmo de sempre: cheio de amor para dar, mas ninguém quer receber este meu amor.
Maria Luiza: É, as coisas não são nada fáceis. Talvez estejamos melhor assim, devemos nos conformar com o que Deus nos deu.
Melissa: Desculpa, mas Deus te deu muito mais do que sofrimento. O Jonathan ainda é caidinho por você, e tenho certeza que você ainda o ama muito. Por que não para de ser turrona e dá uma segunda chance para vocês?
Maria Luiza: Você não acha que ele desistiu muito fácil de mim? Não gostei disso. Se ele me quiser, terá que correr atrás.
Melissa: Então é isso? Você quer que ele tenha iniciativa. Mulheres, como tornamos as coisas complicadas quando se trata de amor.

Cena 4- Mansão Sales Couto de Sá- Noite.
Antonella liga e discute com Roberto por telefone.

Antonella (Ao telefone): Que palhaçada é essa? Vocês estão mesmo dispostos a brincar, não é?
Roberto (Ao telefone): Pelo visto você recebeu o CD que te enviamos, e deve ter ficado contente em rever a sua mãe e a sua avó.
Antonella (Ao telefone): Isso não vai ficar assim papai. Agora eu tenho provas contra vocês, pois naquelas gravações é possível escutar tanto a sua voz, quanto a voz da suburbana.
Roberto (Ao telefone): Faça isso, minha filha, é o que deve ser feito. Mas saiba que a sua mãe e a sua avó sofrerão as consequências desse teu ato.
Antonella (Ao telefone): Vocês não vão sair impunes disso, pode ter certeza. Ainda têm muito o que me pagar.
Roberto (Ao telefone): Mas e ai? Gostou dos vídeos? A Célia e a Simone parecem tão tristes, não acha?
Antonella (Ao telefone): Você deve estar pensando que eu estou blefando, mas não estou. Isso tudo terá volta.
Roberto (Ao telefone): Para Antonella, para que tá feio. Não te ensinei que quando prometer, você tem que cumprir? Só ouço você latindo, porém, cachorro que late não morde.
Antonella (Ao telefone): Depois não diga que não te avisei. – Ela desliga o telefone na cara dele. – Tenho que achar uma maneira de resolver isso, o mais rápido possível.

Cena 5- Mansão Corte Real- Noite.
Maria Luiza e Gaby perguntam para Maria José se ela sabe de algo que Lilla possa estar escondendo.

Maria Luiza: Sério que ela falou assim? Mas a víbora transmitiu firmeza no que disse?
Gaby: Menina, você tinha que ver. Ela falou aquilo com toda a certeza do mundo, fiquei até com medo, mas não entendi nada.
Maria Luiza: Será que a Lilla está aprontando alguma? Pois para ela falar com tanta firmeza sobre isso.
Maria José: Eu posso saber sobre o que a Lilla falou com tanta firmeza? – Ela diz ao entrar no local. – A diaba continua a aprontar?
Gaby: Mas parece que as coisas agora são mais sérias, José. A cobra falou para mim que os nossos dias de glória aqui nesta mansão acabaram.
Maria José: O que ela quis insinuar com isso? – Ela franze a testas. – Por acaso ela deixou algo transparecer?
Gaby: Ela estava cheia de mistério, nem entendi o que ela disse direito, mas… a megera quer nos tirar daqui. – Maria José parece pensar em algo.
Maria Luiza: Não passa nada na sua cabeça sobre o que ela esteja falando, José?
Maria José: Então aquela vadia me apunhalou pelas costas mais uma vez. – Ela fala baixinho, com raiva. – Deixa estar.
Maria Luiza: O que disse? Não conseguir entender direito. Tem como você repetir?
Maria José: Não é nada. Foram apenas algumas suposições que vieram à minha mente. Agora preciso tomar um banho e me deitar um pouco. Amanhã o dia será cansativo.
Maria Luiza: Você não vai contar o que pensou para nós? Temos que descobrir o que a Lilla deve estar armando.
Maria José: Se for o que eu estou pensando, não há mais nada que nós possamos fazer. A merda já foi jogada no ventilador. – Ela sobe a escada.
Gaby: Ai meu Deus. Agora é a José. O que será que está acontecendo Malu?
Maria Luiza: Pelo visto até a Maria já sabe do que se trata, ou faz ideia do que seja. Só nos resta esperar para ver o que acontece.
Gaby: Tenho que admitir que estou morrendo de medo. – Ela está assustada. – Será que a desgraçada está ameaçando a José?
Maria Luiza: Dê tempo ao tempo, Gaby. Deixe que as coisas aconteçam naturalmente.

Cena 6- Apartamento de Celso- Noite.
Lourival aparece para pegar a papelada. Maria Letícia conta para Celso como foi a sua conversa com Maria José.

Maria Letícia: Já não era sem tempo, meu bem. – Ela fala ao abrir a porta. – Finalmente vamos concluir o nosso plano.
Lourival: Faz algum tempo que não os vejo, já estava ficando com saudades. – Ele se senta. – Cadê a papelada? E claro, meu dinheiro.
Maria Letícia: Aqui está os dois. – Ela entrega uma maleta com dinheiro e os papéis. – Espero que entregue os papeis para a justiça o quanto antes.
Lourival: Pode deixar comigo. – Ele abre a maleta e verifica o dinheiro. – A tal travesti não irá incomodar vocês nunca mais. Com estes papéis sendo entregues a justiça, ela não terá a quem recorrer.
Maria Letícia:  Assim espero. Se bem que estou apenas fazendo isso para garantir que ela não volte a me perturbar, tenho outros planos para ela.
Lourival: Passei aqui somente para isso mesmo. – Ele aperta a mão de Celso e de Maria Letícia. – Até outro dia.
Maria Letícia: Valeu a pena cada centavo que lhe dei. – Ela sorri, levando-o até a porta. – Vá pela sombra.
Celso: Agora sim podemos dizer que estamos ricos novamente. – Ele dá um salto do sofá e agarra Maria Letícia. – Mas como é que foi lá no clube?
Maria Letícia: Foi divertido ver a cara de derrotada da Maria José. A travesti ficou completamente sem ter o que fazer, bateu até um dó dela. – Ela diz ironicamente.
Celso: Você não cansa de ser má nunca, não é? – Ele sorri e a beija. – Já falei com o Almir. E coincidentemente, amanhã ele estará embarcando com produto clandestinos, a chance perfeita.
Maria Letícia: Daria tudo só para ser uma mosquinha e ver a cara da Maria José quando ela se der conta que está em um país que ela nem conhece.
Celso: Isso pode dar ruim para nós. Não acha melhor nos livrarmos dela de outra forma?
Maria Letícia: Não tem como dar errado. Ela não vai conseguir se comunicar, o povo de lá vai achar ela uma estranha, e a travesti vai morrer rápido… de frio, com sede, com fome, uma morte bem dolorosa e lenta. Pena que não vou estar lá para presenciar.
Celso: Se você está dizendo, quem sou eu para contrariar? Tomara que o seu plano saia como planejado, pois se ela conseguir voltar… preparasse para o seu fim.
Maria Letícia: Ela nunca irá conseguir voltar. Quem vai pagar passagem para ela? Nem passaporte ela tem. A travesti está completamente perdida.
Celso: Então… que seja o fim da Maria José.

Cena 7- Cobertura de Marisa- Dia.
Melissa conversa com a mãe sobre Rogério.

Melissa: Fiquei sabendo do seu término com o Rogério. Por que foi que vocês terminaram, hein?
Marisa: Ai, eu não quero falar sobre isso Mel. Estou bem sem ele, é somente isto o que eu tenho para te falar.
Melissa: Eu só queria saber o porquê de vocês terem rompido o namoro, formavam um casal tão lindo.
Marisa: Ele é um traíra. Acredita que ele namorava Marillu e eu ao mesmo tempo? O Rogério é um cafajeste.
Melissa: É, isso foi mesmo mancada. Mas será que você não sente nada por ele? Quer dizer, todo o amor que existia entre vocês acabou?
Marisa: Ele nunca me amou. Aquele desgraçado ainda teve a cara de pau de nos dizer que preferia um relacionamento aberto.
Melissa: Ah, mãe. Você tem que ser compreensiva, poxa! Não tá vendo que ele é um cara moderno? – Ela brinca. – É, ele deveria ter falado isso antes.
Marisa: Mas tudo bem, tudo bem. Ele não fará falta para mim. Agora eu só quero me dedicar totalmente ao clube.
Melissa: E como é que está os preparativos para a festa de amanhã? Já está tudo resolvido?
Marisa: Os artistas foram contratados, o buffet está confirmado, os convites entregues… está tudo indo de vento em poupa.
Melissa: Espero que seja a melhor festa que eu já frequentei na minha vida, ok?
Marisa: Não te garanto isso. Já que elaborei a festa com o intuito de atingir todos os públicos, não somente jovens e adultos.
Melissa: Tenho certeza que você não convidou o Rogério, acho que vou chama-lo. – Ela provoca.
Marisa: Se você fazer isso, vai ver o quão eu sei ser má. Ah, por falar em maldade, adivinha quem eu vi hoje.
Melissa: Não faço a mínima ideia.
Marisa: Maria Letícia Lemes Corte Real. Ela estava lá no clube conversando com a Maria José. Acredita que ela foi capaz de se rebaixar? A lambisgoia apareceu lá para pedir ajuda financeira à José.
Melissa: Como é que é? – Ela fica surpresa. – Não posso acreditar no que acabei de ouvir.

Cena 8- Mansão Corte Real- Dia.
Maria José discute com Lilla e Pierre, Regina escuta tudo, depois fala para Nelson.

Maria José: Ontem vocês escaparam, pois eu estava bastante nervosa, mas já me recuperei e nós temos uma conversa pendente. – Ela fala com as mãos na cintura.
Lilla: Se a senhora estiver falando do que eu disse a Gaby, espero que me desculpe. Mas é que ela vive me irritando.
Maria José: Aquilo só serviu para eu matar a charada. – Ela os encara. – Vocês dois me apunhalaram pelas costas. A Maria Letícia conseguiu tomar de mim tudo o que o Alberto havia me deixado.
Pierre: Então você já sabe? – Ele sorri. – Os seus dias nesta mansão acabaram, sua nojenta.
Maria José: E eu ainda acreditei em você, sua vadia. – Ela olha para Lilla. – Fui tão compreensiva, e olha como me agradeceu.
Lilla: Não se faça de vítima, você sabe muito bem que o que fez comigo foi imperdoável. Acredita que tive de ficar num hotel ralé cheio de baratas e ratos? Isso era o mínimo que eu podia ter feito com você pelo que me fez passar.
Maria José: Sempre duvidei que a sua fidelidade à Maria Letícia não tinha acabado. Me admira você gostar de uma pessoa que só sabe pisar nos outros. Logo você, que parece tão esperto.
Pierre: Não se trata de gostar. – Ele é seco. – Gosta apenas de mim mesmo. Mas se Deus me castigou colocando a minha vida nas mãos dela… o que eu posso fazer? Não quer mais sofrer o que eu sofri.
Maria José: Então você é igual a ela. Tem algo que possa te condenar e ela sabe o que é. Assim como aconteceu entre ela e eu.
Pierre: Só me resta ficar feliz com o que tenho, com o que o Todo Poderoso me deu.
Maria José: Me expliquem o que aconteceu. – Regina os vê conversando, e acha melhor esperar eles saírem. Ela os escuta. – Digam.
Lilla: Eu só tive que distrair aquelas mongas lá na sala. Pois nenhuma delas podia ver você assinando os papéis, porque poderiam prejudicar em algo, é sempre bom evitar.
Pierre: E eu inventei aquela história toda. O Nelson não havia me dado papelada nenhuma… você que foi trouxa em acreditar. E se isto tivesse mesmo acontecido, ele mesmo te daria os papéis para você assinar, larga a mão de ser burra. – Maria José dá um tapa na cara dele.
Maria José: Você ainda continua sendo o meu empregado, a Maria Letícia não tomou posse disto daqui ainda.
Lilla: Contente-se, José. Você perdeu para a rainha, e agora não há nada que possa fazer.
Maria José: Cala essa sua boca, sua cachorra. – Maria José avança nela, tapando a sua boca. – Vocês dois cometeram o pior erro ao se bandearem para o lado dela, o lado sujo e obscuro desta história.
Pierre: Pouco me importa. Eu só fiz o que ela pediu, e não me arrependo, já que terei a minha vidinha de sempre.
Maria José: Isso. – Ela aplaude. – Deixe ela tomar conta da sua vida. Ela te ameaçará para sempre com o que quer que seja que você esconde, você não terá mais vida.
Pierre: Você não sabe de nada, não passa de uma travesti ignorante. Eu já não tenho a minha vida desde quando entrei nesta casa, vivo comendo na mão de Maria Letícia.
Maria José: Chega. Eu não quero mais ver a cara de vocês. – Ela sai da cozinha. Regina é surpreendida por Nelson.
Nelson: O que você está fazendo ai escondida? Parece até que está escutando conversa pela parede.
Regina: Parece que a Lilla e o Pierre se envolveram em numa fria. E por incrível que pareça, envolveram até o seu nome.
Nelson: Como é que é? Eu não tenho nada a ver com aqueles dois. Vou agora mesmo tirar satisfação com eles. – Regina o pega pelo braço.
Regina: Não faça isso, nem sabemos o que está acontecendo. O melhor que temos a fazer é esperar para ver se a José irá falar com você.
Nelson: Eu não quero falar nada com aquele macho vestido de fêmea não. Já basta ter que dirigir para ele.

Cena 9- Mansão Garcia de Albuquerque- Dia.
Marillu arruma suas coisas e explica tudo para Frederico. Antonella a questiona, e ela garante que voltará para busca-la.

Marillu: Vestidos… são nessa mala ali. – Ela vai até a mala e coloca o vestido. – Assim tudo fica mais organizado. Shorts e calças numa mala, camisas em outra e vestido nesta aqui.
Frederico: O que é que significa isto, mamãe? – Ele entra no quarto dela. – Por acaso vai viajar e não estou sabendo de nada?
Marillu: Venha aqui, meu filho. Preciso falar com você. – Ela se senta na cama e ele se junta a ela. – Sei que deveria ter falado isso antes, mas…
Frederico: Mas resolveu me contar em cima da hora. – Ele completa. – O que foi desta vez?
Marillu: Depois de tudo o que aconteceu, me sinto na obrigação de ir ficar com o Ivan. Ele precisa um pouco da minha atenção.
Frederico: Já entendi. A senhora está me trocando por ele.
Marillu: Não é nada disto Frederico. Pensei que, como você está prestes a se casar… você pode usar aquela nossa discussão em seu favor.
Frederico: Você quer que eu vá morar com o Leonardo por ele acreditar que você não aceita o nosso namoro. É isso mesmo que eu entendi?
Marillu: Sim, meu filho. Até porque estamos zerados. Já despedi os serviçais, e não nos restou nem um centavo para contar a história.
Frederico: Então não está fazendo isso somente pelo seu outro filho, mas também pelo fato de não termos mais nenhum tostão. Como sempre, está se aproveitando de uma situação.
Marillu: No mundo em que vivemos, nós precisamos ser espertos. – Ela faz uma pausa. – Depois vendemos esta mansão, e tudo fica resolvido.
Frederico: E sobre a Antonella? Vai mandá-la embora?
Marillu: Ontem acabei escutando alguns gemidos vindo do seu quarto, depois que entreguei o CD a ela. E mesmo que negue, eu sei que vocês se acertaram, mas você ainda não percebeu que gosta dela.
Frederico: Para com isso, mãe. Tudo não passou de uma transa. Antonella e eu só nos damos bem na cama, não temos mais nada além disso. E antes que você insista, nunca irei ficar com ela… mesmo depois de me livrar do Léo.
Antonella: Estou meio doida ou escutei mesmo o meu nome? – Ela entra. – Desculpem atrapalhar, mas estava passando no corredor quando escutei.
Frederico: Só posso lhe desejar boa sorte, então. – Ele a abraça. – Preciso sair para comprar uma roupa. Hoje tem festa no clube Realeza. – Ele sai.
Antonella: Nem olhou na minha cara. Não passo de um pedaço de carne para ele. – Ela se senta ao lado de Marillu. – Que malas são essas? O que vocês estavam falando de mim?
Marillu: Eu estava falando para o Frederico que eu terei que sair daqui. Mas não falei a verdade, claro.
Antonella: Você está com medo do Carlos Henrique voltar e matar vocês, não é? Por isso irá para um lugar que ele não possa te encontrar.
Marillu: Ele não irá nos matar, não enquanto eu estiver com a verdadeira herança dele na minha conta bancária. E outra, não tenho mais dinheiro para bancar esta mansão.
Antonella: Ah, Marillu. Você acabou de dizer que está montada na grana, como não tem dinheiro para manter a mansão?
Marillu: Eu nunca gastei um centavo da herança do Carlos Henrique, sempre tive medo que ele voltasse. E por isso recorri a outra pessoa, que me ajudou bastante, por isso consegui manter a mansão depois da “morte” do desgraçado.
Antonella: Então quer dizer que tem outro na jogada, e ele te deu dinheiro para cuidar da mansão.
Marillu: Na verdade, ele não sabia aonde eu investia este dinheiro, mas… ele descobriu e não vai me dar mais nenhum centavo. Além de que toda a economia que ele fez durante anos, foi dada para mim.
Antonella: Isto pouco me interessa. Só quero saber para onde eu vou. Você vai me levar contigo, não é?
Marillu: Primeiro eu preciso conversar com o dono da residência, pois irei morar de favor. Depois volto para te buscar, eu garanto.

Cena 10- Cobertura Queiroz Galvão- Tarde.
Luciana conversa com Cléber sobre Leonardo. Ela o convida para ir na festa do clube Realeza.

Luciana: Não valeu de nada a conversa que eu tive com ele. O Leonardo é persistente e não desistirá facilmente do tal Frederico.
Cléber: Ele está perdidamente apaixonado por aquele mal caráter, nós temos que fazer alguma coisa Luciana.
Luciana: Você tem certeza? Pode ser que estejamos sendo injustos com o rapaz, talvez ele não seja esse monstro que pensamos.
Cléber: É que você ainda não o conhece, quer dizer, não o suficiente. Só eu sei o que o Léo passou por causa dele.
Luciana: Eu já tentei fazer o que podia, agora vai depender dele, não posso fazer mais nada.
Cléber: Sei que o Leonardo já é grandinho para você se meter na vida dele, mas é preciso que faça isto.
Luciana: Por mim tudo bem, mas ele não me permitirá intervir na vida dele. Só nos resta rezar para que nada de mal o aconteça.
Cléber: Temo esse casamento deles. Pode te certeza que é isso o que o Frederico mais quer. Porém, ele não ficará com o Léo para sempre, os planos dele são outros.
Luciana: Eu entendo a sua preocupação, mas já disse que não há nada que possamos fazer quanto a isso. Deixe o Leonardo viver a vida dele, qualquer coisa ele aprende sozinho.
Cléber: Só espero que ele não se arrependa depois.
Luciana: Feliz dele em ter um amigo tão bom como você, que se preocupa com ele. – Ela faz uma pausa. – Ah, e por falar nisso, hoje vai ter uma festa lá no clube Realeza, está afim de ir?
Cléber: Acho que estou mesmo precisando me distrair, sair um pouco da rotina.
Luciana: É isso ai.

Cena 11- Mansão Sales Couto de Sá- Tarde.
Roberto dá um vestido lindíssimo para que Michele acompanhe-o na festa do clube. Ela adora, mas Daniele se preocupa com a reconciliação dos dois.

Roberto: Abra, é seu. – Ele fala, depois de dar uma caixa a ela. – Espero que goste.
Michele: O que será, hein? – Ela balança a caixa e depois abre. – Nossa! Que lindo. – Ela tira um vestido azul escuro da caixa. – É a minha cara.
Roberto: Sabia que ia gostar. – Ele sorri. – Sei bem todos os seus gostos.
Michele: Ai meu amor. – Ela o beija. – Eu te amo tanto, tanto. Adorei o vestido, é realmente muito lindo.
Roberto: Comprei ele para que você me acompanhasse em um evento hoje à noite. Acredito que você já saiba do que se trata, já que é a Maria José quem está organizando.
Michele: A festa do clube Realeza. Mas é claro que eu vou te acompanhar. – Ela o abraça. – Pois você é o meu homem agora.
Roberto: Só sou o seu homem nessas horas, porque você se recusa em aceitar vim morar comigo.
Michele: Ah, meu amor. Você precisa me entender, não é? Não posso vim morar com você assim, de uma hora para outra.
Roberto: Tá, tá, não quero falar sobre isso agora. – Ele a beija e Daniele surge bem na hora.
Daniele: “Caramba, não acredito que eles se acertaram”. – Ela pensa. – Olha, olha, então quer dizer que você está de volta Michele?
Roberto: Não em definitivo, pois ela está relutante quanto ao meu convite para que ela venha morar conosco.
Michele: Acho que não será uma boa, e acredito que a sua filha não irá gostar muito disso.
Daniele: Imagina. – Ela mente. – O que eu mais quero é ver meu papaizinho feliz. Ele merece toda felicidade do mundo, e se ele escolheu você… por mim tudo bem.
Roberto: Viu só? Até a Dani quer que você venha morar conosco.
Michele: Ela não disse isso. Pelo que eu ouvi, ela falou que quer te ver feliz.
Roberto: Mas eu só posso ser feliz se for ao seu lado, e ela sabe disso.
Daniele: Deixa de fazer doce, Michele. Venha logo morar com a gente. Você vai adorar esta mansão, e tudo que tem aqui. – Ela é falsa.
Michele: Prometo que vou pensar com carinho sobre este convite. – Ela a encara.
Daniele: Então… nós vemos na festa do clube. – Ela sobe a escada.

Cena 12- Cobertura de Severino- Tarde.
Ivan diz para Marillu que depois da festa, ele não voltará mais para casa. Severino pede para que a moça tenha paciência com o filho, e ela pede um favor a ele.

Ivan: Você pode ter conseguido enganar o meu pai, mas a mim você não engana. Nunca irei aceitar a sua presença nesta casa.
Marillu: Que pena, eu queria tanto te dar amor, carinho. Aliás, sou sua mãe e é o mínimo que eu tenho que te dar.
Ivan: Já deixei bem claro para o meu pai, ele terá que escolher entre um de nós dois, porque não terá como ele abrigar ambos debaixo do mesmo teto.
Marillu: Não faça isso com o seu pai, tenho certeza que você só está fazendo com que ele sofra ainda mais.
Severino: Pelo amor de Deus, Ivan. Vá para o seu quarto, tome um banho, que depois nós iremos para a festa do clube.
Ivan: Eu vou sim, mas quero deixar bem claro que depois da festa eu não voltarei mais para cá. O senhor pôde escolher entre nós, e preferiu ficar com ela. – Ele vai para o seu quarto enraivado.
Severino: Eita menino que só me dá dor de cabeça. – Ele se senta. – Só te peço para que tenha um pouco de paciência com ele.
Marillu: Terei toda a paciência do mundo, pois eu fiz com que ele ficasse assim. Se eu não tivesse abandonado vocês, nada disso teria acontecido. E muito obrigado por ter me abrigado aqui.
Severino: Eu sei bem pelo que você está passando, e admito que não é nada fácil. Mas quando é que você pretende contar tudo para o Fred?
Marillu: Não sei, não faço a mínima ideia. Quando o Frederico souber que o Carlos está vivo, e que eu menti para ele durante todo esse tempo… não quero nem imaginar.
Severino: Então o desgraçado te ligou depois que forjou a própria morte, e mandou que você enviasse a herança dele.
Marillu: Sim, mas eu estava desesperada e não sabia o que fazer. Porque se eu desse todo o dinheiro para ele, ficaria sem nada para manter a mansão, a minha vida, a do Fred. Aquele dinheiro iria nos ajudar bastante.
Severino: Você mesma foi quem complicou a sua vida. Por que você vendeu os imóveis dele? Você deveria ter entregue a herança do desgraçado.
Marillu: Eu sei disso, mas não estava raciocinando direito. Por isso eu vendi todos os imóveis que estavam no nome dele, deixei apenas a mansão. Depois depositei tudo na conta dele lá na Europa, mas a quantia da venda dos imóveis não chegou nem perto da quantia da herança dele.
Severino: E foi isso o que complicou a sua vida, pois você não pôde mexer na herança dele, como planejava. Pois ficou com medo dele voltar atrás da dinheirama que foi deixada para você e o Frederico.
Marillu: Claro. Depois que fiz a cagada, foi que comecei a raciocinar. O Carlos Henrique iria descobrir que a quantia da venda dos imóveis era inferior ao da herança dele, e poderia vim atrás de mim, me matar. Foi por isso que resolvi não mexer, caso ele voltasse. E falei para o Fred que ele não podia gastar com besteiras, mas ele mal sabia o que realmente estava acontecendo.
Severino: E foi quando você voltou a raciocinar, que eu apareci na sua mente. Lembrou que eu era “tio” do Frederico, que provavelmente já tinha me formado… e ai resolveu me mandar cartas pedindo dinheiro, e alegando que estava na mais completa pobreza.
Marillu: Você tem que me entender. Fiz isso porque eu não podia mexer no dinheiro do Carlos Henrique. E me lembrei de você e o seu coração bondoso.
Severino: Eu, todo trouxa, depositei dinheiro na sua conta durante esses meses. Mal sabia que você estava usando toda a minha economia para manter aquela mansão.
Marillu: Não só a mansão como também o Fred e a mim. Mas eu não iria ficar usurpando o seu dinheiro para vida toda. Uma hora eu iria usar o dinheiro do Carlos, mas ele voltou antes do esperado. Na verdade, pensei que ele não colocaria mais os pés por aqui, já que está foragido da polícia. Porém, ele voltou para pegar o que é dele.
Severino: E agora ele só não te mata porque precisa do dinheiro dele, que está na sua conta, e só você pode devolver a ele.
Marillu: Somente por isso que ele não me matou ainda. Mas ele tirou parte de mim quando matou o Alberto. – Ela fica triste. – Se eu não tivesse contado que gostava do Alberto para aquele desgraçado, quando ele descobriu que o Fred não era filho dele, nada disso teria acontecido. Mas a raiva era tanta, o desejo de esfregar na cara dele que eu nunca o amei, que eu só queria me aproximar do Corte Real era tão forte… que eu não me aguentei, e acabei abrindo a minha boca.
Severino: Agora não adianta chorar sobre o leite derramado. O que está feito, está feito. Lamento pelo Alberto que se foi sem nem ao menos saber o porquê de sua própria morte.
Marillu: Enfim. Eu só queria que você me ajudasse com mais uma coisinha.
Severino: Se estiver ao meu alcance.
Marillu: É que eu queria trazer uma pessoa para morar conosco. Uma moça, ela se chama Antonella.

Cena 13- Clube Realeza- Noite.
Maria Luiza e Jonathan embarcam em uma conversa amigável. Melissa diz que torce para a reconciliação deles.

Maria Luiza: Garçom, traga-me um champanhe, por favor. – Jonathan parece não escutar, e a olha fascinado. – Ei, ei, está me escutando.
Jonathan: Desculpa, não pude deixar de apreciar a sua beleza exuberante. – Ele sorri, tímido. – Foi muito idiota ao deixar que uma mulher tão bela como você saísse da minha vida.
Maria Luiza: Não fique se culpando por isso. Talvez Deus não tinha mais história para nós, e por isso resolveu colocar um ponto final.
Jonathan: Pode ser. Mas mesmo assim, continuo inconformado com isso. O que era mesmo que você queria?
Maria Luiza: Esquece. Agora eu quero apenas conversar com você. Acho que podemos ter um papo amigável, não é?
Jonathan: É que eu estou em trabalho e…
Maria Luiza: E eu sou a filha do dono deste clube. A Maria José e a Marisa serão compreensivas com o seu caso.
Jonathan: Se você diz. Como é que você tá? Seu coração já achou outro dono?
Maria Luiza: Ainda não achei ninguém que pudesse preencher o vazio do meu peito, mas estou bem. E você? Já partiu para outra?
Jonathan: Estou bem, e até tentei partir para outra. Como você já deve saber, não deu muito certo com a Melissa.
Maria Luiza: Fiquei sabendo sim. – Eles se olham encantados, quando Melissa chega.
Melissa: Finalmente. Boto fé numa reconciliação entre vocês. – Ela sorri e eles a olham surpresos. – Vocês se amam gente, será que não percebem isso?
Jonathan: Também acho. Mas não depende somente de mim, não é? – Ele olha para Maria Luiza, que fica vermelha.
Melissa: Ai, Malu. Para de ser durona. Dá uma chance para ele. Vocês ainda têm muito o que viver juntos. – Ela sai. E eles continuam a se olhar.

Cena 14- Clube Realeza- Noite.
Antonella percebe a aproximação de Leonardo e Frederico. Daniele a envenena, e Marillu tenta abafar o caso.

Antonella: Ainda bem que você conseguiu. Saiba que o seu segredo está muito bem guardado.
Marillu: Só te peço para não causar na casa do Severino, já estamos lá de favor. Agora, cadê o Frederico? Você não veio com ele?
Antonella: Vim sim, mas ele me abandonou para ficar com o Leonardo. E eles estão muito próximos para o meu gosto. Isto é de se desconfiar, já que o Leozinho é gay.
Marillu: O que você está querendo insinuar com isso, Antonella? O meu filho não é nenhum homossexual.
Antonella: Mas que ele está bem próximo do Léo, ah, ele tá. E vai me dizer que isso não é de se desconfiar? Homem que é homem não anda com veados.
Daniele: Hm! Pelo visto você viu o mesmo que eu vi. – Ela surge por traz de Antonella. – O Fred está mesmo bem próximo do Léo, será que a sua suposição estava certa? Ainda bem que nós não temos mais nada.
Antonella: Oh minha querida, não se iluda. O Fred é bem macho, ainda mais na cama. – Ela vira para traz e fica frente a frente com a irmã. – Ele sabe fazer sexo como nenhum outro homem faz.
Daniele: Se eu fosse você ficava com os olhos bem abertos, pois aquele Pit Bull pode ser Lassie.
Antonella: Cala essa sua boca, você é uma recalcada. – Daniele vai embora, depois de mandar um beijo para ela. – Viu só? Até aquela suburbana percebeu.
Marillu: Eles eram amigos quando pequenos, não sabia? – Ela mente. – E não é pela orientação sexual do rapaz, que o Fred iria rejeitar a amizade deles.
Antonella: Não sabia disso.

Cena 15- Clube Realeza- Noite.
Maria José nomeia Maria Letícia como a nova dona do clube Realeza, e diz que resolveu rejeitar tudo que Alberto lhe deixou.

Maria José: Eu gostaria um minuto da atenção de todos. – Ela fala com o microfone em mãos. – Primeiramente, quero chamar até aqui a minha amiga e sócia, Marisa. – Marisa sobe no palco.
Marisa: Boa noite a todos. – Ela está com outro microfone. Todos a respondem. – Maria José e eu estamos muito felizes por todos terem vindo. E gostaríamos de agradecê-los por não terem rompido seus contratos com o clube, pois sem vocês nós não somos nada.
Maria José: Muitas pessoas me julgaram pela minha aparência, e nem me deram a oportunidade de mostrar a que vim. – Ela vê Maria Letícia se aproximando. – Mas vocês permaneceram, e merecem saber quais são as minhas pretensões para com o nosso clube.
Marisa: Além disso, às vezes se esquecem que também estou no comando disto aqui, e só hostilizam a Maria José por ela ser uma travesti. Por que tanto preconceito? Não conseguem enxergar que todos somos iguais perante os olhos de Deus?
Maria José: Eu me orgulho de ser travesti, mas não foi por isso que vim até aqui. Marisa e eu viemos falar sobre o futuro que planejamos para o clube.
Marisa: E para iniciar, eu prometo que novas melhorias serão trazidas. Vocês ficarão surpresos com as novidades que o clube trará exclusivamente para vocês. – Maria José começa a suar.
Maria José: Sei que vocês estranharam a minha chegada. – Ela engole seco ao encarar Maria Letícia. – E que nunca me aceitariam por eu ser uma travesti. – Marisa a olha, aflita. – Isto só iria atrapalhar a evolução do clube, e não é isso o que eu quero, não quero acabar com o que o Alberto construiu.
Marisa: O que você está falando? Isso não estava no discurso. – Ela cochicha.
Maria José: Admito que não tenho capacidade para cuidar deste lugar, que tudo isso é muito para mim. – Lágrimas escorrem o seu rosto.
(FLASHBACK)
Maria Letícia: Você vai dizer isso aqui. – Ela entrega um papel a Maria José. – Eu fui até simpática com você. Poderia deixar você mal vista diante do clube, mas preferi achar uma desculpa plausível para a sua saída. Não ouse mudar nem uma vírgula disto aqui.
(FIM DO FLASHBACK)
Maria José: Não posso aceitar nada que o Alberto deixou para mim, pois sinto que não sou digna de nada do que ele me herdou. – Ela faz uma pausa. – Por isso estou deixando o clube e tudo o que me foi destinado, mas passo tudo isso para uma mulher de fibra, que apesar das nossas desavenças, saberá cuidar disto aqui como ninguém. Com vocês, a nova dona do clube Realeza, Maria Letícia Lemes Corte Real. – Há uma surpresa geral. – Suba até aqui… Lê. – Maria Letícia sobe no palco elegantemente.
Marisa: Mas o que é que significa isso? – Ela pega Maria José pelo braço.
Maria José: Significa que acabou, Marisa. O conto de fadas se quebrou. – Ela desce do palco e caminha pela multidão.
Maria Letícia: É tão bom está de volta, rever todos vocês. – Marisa a olha de cara feia. Maria José já está fora do clube, completamente desnorteada.
Maria José: Acabou, aquela desgraçada conseguiu o que queria. – Ela olha para o céu. – Me desculpa, Alberto, desculpe-me por ter sido tão burra. – Alguém surge por traz dela e coloca um pano em seu nariz, no tecido há algo que a faz desmaiar.
Celso: Chegou a sua hora, travesti desgraçada.

Cena 16- Aeroporto clandestino- Noite.
Celso entrega uma caixa de madeira com Maria José desacordada.

Almir (Ao celular): Essas caixas ai estão todas conferidas. Só estou esperando um amigo meu, mas ele está demorando demais, acho que vou ter que partir. Tá bom, tá bom. Abraço, até mais. – Um carro se aproxima. – Será que é ele? – O carro começa a buzinar e ele se aproxima. – Finalmente, pensei que não viria mais.
Celso: Desculpa pela demora. – Ele sai do carro e vai até o porta-malas. – Me ajuda aqui. Esta caixa está um pouco pesada.
Almir: Um pouco? – Ele o ajuda. – O que é isso aqui? Chumbo?
Celso: Não interessa o que é isso. – Eles colocam junto das outras caixas. – Você não faz exportações clandestinas? Não combinamos que você faria isso sem perguntas? Então pronto.
Almir: Tá. Cada o dinheiro? – Celso o entrega um malote de dinheiro. – Hm! Está quentinho. – Ele sorri. – Aonde eu devo deixar essa caixa de madeira?
Celso: Aonde você bem entender. Não tem destino certo.
Almir: Então tá. Agora eu preciso colocar essas coisas dentro do avião, pois preciso partir. – Ele empurra um carrinho cheio de malas e caixas de todos os tipos. Celso entre em seu carro.
Celso: Adios, Maria José. – Ele acena para o avião. – Que você vá para aonde o diabo te carregar. – Ele sorri.

CONTINUA…

4 comentários sobre “Capítulo 52 – Realeza

  • Caramba, só cenões nesse capítulo. Primeiro, a cena da Maria José com Lilla e Pierre foi ótima! Depois, eu sabia que algo ia acontecer nessa festa, José pagou o preço da sua ingenuidade, perdeu tudo, Maria Letícia voltou a reinar, e, não satisfeita, ainda mandou a rival pra não sei aonde…Será que algo mais vai acontecer nessa festa? E se eu fosse a Daniele, partiria logo pra vingança, ou pode ser tarde demais, agora qual será a sua reação com o sumiço da tia? As duas tiveram uma cena tão emocionante no capítulo de ontem.
    Excelente capítulo esse!!

    • Só cenões para lacrar o capítulo 52 hehe! Muito obrigado, também adorei a cena da José com aqueles dois peçonhentos. Realmente, você chegou a comentar que algo aconteceria na festa, e aconteceu. Maria José pagou por ter sido tão ingênua, e Maria Letícia voltou à sua realeza triunfantemente. O que será que aconteceu com a José, gente? Aonde ela foi parar? Acho que todos ficaram surpresos com a volta da rainha, então ninguém aprontará mais nada… acho!! hehe Verdade, a Dani tem que acabar logo com isso de uma vez, pois precisa ir atrás da tia. Cena para deixar o teclado todo molhado com as lágrimas 🙁 Obrigado por comentar, Victor 😀

  • Coitada da Maria José, primeiro ter que fazer aquele discurso maligno da Maria Letícia, passar tudo para a megera sair daquela forma do club e agora foi deportada sabe Deus pra onde, que história de terror 🙁
    Mas gente outra história que está bastante instigante é a da Marilu credo, está mulher tem mais espinhos que rosas em seu passado e presente, uma pessoa um tanto quanto horrorosa em suas atitudes.
    Veremos o que sucede em Realeza, (capítulo fortes esses ein parabéns 🙂

    • É, a Maria José está passando por uma fase bastante difícil. Parece que a nossa protagonista está em apuros 🙁 E Maria Letícia não para nunca com as suas maldades. O que vai acontecer com a José? Aonde ela foi parar? Uma verdadeira história de terror!!
      Marillu é dona de um passado e presente cheios de mistérios. No que isso vai resultar? Acho que em coisa boa é que não vai ser.
      Veremos o que acontecesse nos próximos capítulos!! (Estão fortes porque já estamos perto do fim, e as coisas precisam ser resolvidas haha!) Obrigado por comentar, Wagner 😀

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